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Entrevista: VIVIANE JUGUERO

Por Fabio Gomes

 

Viviane Juguero, 29, é atriz, autora teatral e diretora. No concurso 5º Habitasul Revelação Literária na Feira, promovido pela Habitasul durante a 50ª Feira do Livro de Porto Alegre, um conto seu, "Cristina", foi apontado como destaque da categoria Eu conto.com, sendo ainda um dos três contos adaptados para a montagem teatral Três Vezes Amor e Morte (os outros foram "O Aniversário", de Ana Cláudia Santos, e "Carma de Nossas Carnes", de Oscar Bessi). A peça tem uma estrutura sui generis: de cada conto se fez um ato, cada um a cargo de um diretor diferente (Camilo de Lélis, Dilmar Messias e Jaqueline Pinzon), mantendo-se em todos o mesmo elenco (João França e Adriane Azevedo). A peça teve pré-estréia em 15 de dezembro de 2005, no Theatro São Pedro (Porto Alegre), durante a cerimônia de lançamento do livro 6º Habitasul Revelação Literária na Feira.

Entrevista realizada por e-mail em 19 de fevereiro de 2006

JORNALISMO CULTURAL - Recentemente, teu conto “Cristina” foi adaptado para uma montagem teatral, Três Vezes Amor e Morte. O que achaste da adaptação?

VIVIANE JUGUERO - Achei a adaptação bastante interessante. É muito legal poder ver um texto próprio visto por outros olhos. Ganha outras dimensões. No palco, vi coisas no meu texto que eu ainda não tinha descoberto. Coisas que gostei bastante, outras que pude criticar, pelo distanciamento de agora. Fiquei lisonjeada de ter um texto meu dirigido por um diretor tão sensível como o Dilmar Messias e de ter sido interpretado por excelentes atores, como o João França e a Adriane Azevedo. Como autora, discordo um pouco da concepção da personagem Cristina. Ela é uma mulher de classe média alta, com um pensamento senso comum e fútil, é verdade. No entanto, ela é uma mulher bem sucedida profissionalmente, independente na administração de seus negócios e de sua vida. Acho que ela não é tão bobinha como ficou em cena. Inclusive, acredito que se ela fosse uma mulher mais forte, a cena também ganharia força. Sim, ela é uma sonhadora, romântica e tal, mas isso é um lado. Ocultar o outro lado, tira volume da personagem, deixando-a meio chapada. Bom, é uma concepção diferente da minha, mas achei o resultado final muito bom. A equipe está de parabéns.

JORNALISMO CULTURAL - Já montaste um texto teu, Desencontros, no qual dirigiste e atuaste. Qual a comparação possível com o Três Vezes Amor e Morte, onde não tiveste envolvimento com a produção?

VIVIANE JUGUERO - É bastante diferente a relação, quase impossível de comparar. Em Desencontros eu não tinha como me distanciar, sendo diretora, autora, atriz e produtora. Para avaliar meu trabalho, contei com o apoio e a dedicação de uma equipe muito dedicada e talentosa (Christian Benvenuti – trilha sonora; atores Daniel Freitas, Paulo Bocca e Raquel Alfonsin, também assistente de produção e outros anjinhos) além dos comentários, críticas e da reação do público. Foi uma experiência única em minha vida. Muito gratificante por um lado e penosa por outro. Embora eu tenha recebido muitos elogios, muitas portas se fecharam. Parece que nossa cultura tem optado por colocar, de um lado, as mesmas pessoas, com trabalhos de qualidade, de outro, peças bastante comerciais e sem conteúdo artístico. Fala-se que as pessoas só querem realizar trabalhos pelo Fumproarte (fundo instituído pela Prefeitura de Porto Alegre para financiamento de projetos culturais), mas quando tu lutas pra fazer um trabalho com produção alternativa, não encontra nenhum apoio para levá-lo adiante. Uma pena. No entanto, não avalio o desempenho de nossa cultura apenas a partir desse aspecto. Acho que os artistas dessa cidade já provaram ser possível alcançar muitas coisas. Isso é muito bacana. Bueno, voltando ao tema. Desencontros era teatro, “Cristina” partiu de um conto. É muito diferente. Nunca imaginei “Cristina” em um palco. Quando soube que iria ser representado fiquei gratificada, mas surpresa. Não achava que tinha qualidades dramáticas. Fiquei feliz ao vê-lo funcionar em cena.

JORNALISMO CULTURAL - Para 2006, pretendes reapresentar Desencontros ou já tens planos para outra peça?

VIVIANE JUGUERO - Infelizmente, não tenho condições de seguir com o Desencontros. Precisaria ter uma equipe de produção maior e ainda não é possível. No entanto, faço questão de frisar a fundamental importância que o produtor Zé Benetti teve na construção desse trabalho. Seguirei sim, com o Bando de Brincantes, espetáculo infantil que tem dado frutos bastante positivos.

Leia também:

Sobre Desencontros: Palco Brasileirinho de 12/01/05

Sobre Bando de Brincantes: Palco Brasileirinho de 17/01/06

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