Jornalismo Cultural - Início

Voltar ao Menu



Entrevista: RITA CARELLI

Por Fabio Gomes
Entrevista realizada por e-mail

A jovem atriz paulista vive um grande momento profissional. Pouco depois de receber, em 29 de novembro de 2008, o prêmio de Melhor Atriz no 15º Vitória Cine Vídeo por sua atuação em Décimo Segundo, de Leonardo Lacca (premiado ainda como Melhor Roteiro e Melhor Direção, além de Melhor Ator para Irandhir Santos), ela estréia na direção em 11 de dezembro com o espetáculo Três Histórias para Lembrar, uma montagem d'A Outra Companhia de Teatro, grupo residente do Teatro Vila Velha, em Salvador. Nesta entrevista exclusiva ao site Jornalismo Cultural, Rita Carelli fala de sua trajetória no teatro e no cinema, seus projetos e em especial daquela que define como "até agora, a experiência profissional mais rica da minha vida": sua atuação junto aos Doutores da Alegria, organização civil sem fins lucrativos, que utiliza a alegria como fator de promoção da saúde, por meio da visita de palhaços a crianças hospitalizadas.

Rita Carelli no espetáculo Solos em Cena
(Teatro Gamboa Nova, Salvador, julho de 2008)

JORNALISMO CULTURAL - Quando foi que você decidiu "Vou ser atriz?".

RITA CARELLI - Acho que esse momento nunca existiu. A sensação que eu tenho é que já nasci assim, que a atuação foi para mim uma via natural de expressão. Como se eu não tivesse escolha, de fato, e ao mesmo tempo abraçasse com alegria esse destino. Quando era pequena adorava me fantasiar e criar personagens com os quais eu improvisava durante horas, sozinha, ou para as visitas que freqüentavam a nossa casa em São Paulo. Era uma casa animada, cheia de gente de todos os cantos do mundo, e muita música, eu era uma das atrações dessa casa maluca. Acho que vem daí o meu gosto pela "cena" e pela diversidade. Ao mesmo tempo o teatro, ou o cinema, representavam, e representam ainda, uma maneira incrível de condensar os meus múltiplos interesses: a atuação, a escrita, as artes visuais, a música...

JORNALISMO CULTURAL - Você nasceu numa família de antropólogos: seu pai, Vincent Carelli, criou em 1987 o projeto Vídeo nas Aldeias, e sua mãe, Virgínia Valadão, foi uma das fundadoras em 1979 do Centro de Trabalho Indigenista. Eles aceitaram bem sua decisão de seguir a carreira teatral?

RITA CARELLI - Muito. Eu venho de uma família de artistas (meu avô é pintor, meu pai faz filmes, minha tia é atriz e diretora de teatro, meu tio era escritor, minha irmã é bailarina, minha mãe era artista na alma...), então a minha escolha não era controversa, mas natural. Ser atriz era uma profissão como outra qualquer. Mais estranho foi quando o meu irmão decidiu ser físico! Todo mundo achou o máximo, mas por essa ninguém esperava...

JORNALISMO CULTURAL - Ainda na época de estudante, você participou de um programa da TV Escola que levou jovens a aldeias indígenas - inclusive este programa seguidamente é reprisado pela TV Cultura. Imagino que não fosse sua primeira visita a uma aldeia, afinal seus pais sempre atuaram nesta área, mas a impressão que tive assistindo o programa é que aquela viagem foi especialmente marcante pra você; estou certo? E, aproveitando a deixa: você já pensou em trabalhar com a temática indígena em teatro?

RITA CARELLI - Boa pergunta. Esse programa levou para aldeias indígenas dois jovens do Projeto Casa Grande, de Nova Olinda, no Ceará, e um jovem do Nós do Morro, do Rio de Janeiro. Eu fui tapar um buraco porque a jovem paulista que devia participar da série, uma personagem bem urbana, cheia de piercings e cabelo rosa-choque, foi proibida pelo pai de ir na última hora. Então eu fui convocada. De fato não era a minha primeira visita a uma aldeia, ao contrário, passei minha infância de aldeia em aldeia pelo Brasil, mas o que me deixou especialmente emocionada nessa viagem foi o fato de compartilhar com outros jovens não-índios essa experiência, de ter interlocução. De ter sido capaz de enxergar aquilo tudo com os olhos deles, como uma experiência nova e inusitada. Isso foi muito marcante. Fez com que eu me desse conta do legado que possuía. Quanto a trabalhar com a temática indigena no teatro é o que eu estou tentando fazer agora, entre outras coisas. Acabei de escrever uma pequena história: Como eu me tornei um menino e voltei a ser uma menina, sobre a vivência entre índios Enauenê Nauê, no Mato Grosso, que deve se tornar um pequeno espetáculo solo. Mas o importante na minha relação com o universo indígena é que ela vai muito além da experiência teatral direta: está profundamente ligada com aquilo que sou.

JORNALISMO CULTURAL - Como surgiu seu interesse em integrar os Doutores da Alegria? Você chegou a participar de visitas em hospitais em São Paulo, ou já iniciou suas atividades como "Dra. Clara Clarabela, besteirologista", na unidade de Recife?

RITA CARELLI - A minha relação com os Doutores começou em São Paulo quando eu era estudante do colégio Equipe. Nosso cordenador pedagógico tinha concebido com Wellington Nogueira, diretor do Doutores da Alegria, um projeto de inserção de jovens no ambiente hospitalar através de uma experiência artística, sob orientação dos Doutores, e eu fui uma das escolhidas para realizar o projeto piloto. A primeira vez que vi uma dupla dos DA entrando na sala de espera do hospital para vir me buscar, pensei: "Eu quero fazer isso!" Freqüentei durante dois anos hospitais de São Paulo com um crachá de "estagiária em besteirologia". Foi aí que nasceu a Clarabela. Eu e os outros seis estagiários criamos nessa época um projeto chamado "Chá de Cadeira" que atuava na sala de espera pediátrica do centro de saúde Butantã. Só abandonei o projeto quando me mudei para Recife e... os Doutores vieram atrás! Eu os ajudei a espalhar os cartazes de seleção pela cidade, filmei as oficinas, mas não ousei me inscrever para a seleção. Achava que era areia demais para o meu caminhãozinho, que não estava pronta. Mas Soraya Saide e Fernando Escrich, atores do programa responsáveis pela seleção, me convenceram a participar. Dos quase 200 inscritos ficaram 6, eu entre eles.

JORNALISMO CULTURAL - Para adotar o nome Clara Clarabela, você se inspirou na personagem do Disney? Ou tem alguma ligação com dona Clarabela, d'A Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna? (à esquerda, Rita como Clara Clarabela)

RITA CARELLI - Não, a inspiração do nome Clara Clarabela não vem nem da Disney nem de Suassuna. O nome Clara me acompanhou de uma maneira curiosa durante a minha vida: ao longo dela algumas pessoas cismaram que eu me chamava assim, trocavam meu nome por Clara e assim por diante. Como um segundo nome, secreto, que me perseguisse. Então, quando virei estagiária em besteirologia e essa palhaça foi dando as caras e tive que batizá-la, pensei em assentar o nome nela! Deu supercerto. Quanto ao sobrenome (Clarabela), minha primeira dupla de palhaço, Diana Tatit, se chamava Nina Manivela, como estavámos montando um pequeno número queria alguma coisa que soasse: "Nina Manivela e Clara ..." então abri o dicionário e encontrei: "Clarabela: instrumento que, tocado com uma manivela, produz sons de flauta"... Pegou! Depois, com os títulos e a idade, ficou: Dra. Clara Clarabela Clarabóia Clorofila Clarineta !

JORNALISMO CULTURAL - Além do trabalho de visitas às crianças nos hospitais, queria que você falasse da sua participação nas outras atividades que os Doutores da Alegria de Recife faziam, como o desfile do Bloco do Miolo Mole no carnaval, e a peça Poemas Esparadrápicos, o Musical, que deu a você em 2006 o prêmio de Atriz Revelação no 12º Festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

RITA CARELLI - A criação do bloco foi uma maneira que encontramos de abrir um pouco o programa para as pessoas de fora do hospital. De dizer para os pernambucanos: "Oi, estamos aqui, esses somos nós e essa é a nossa maneira de fazer" - os Doutores da Alegria ainda são muito confundidos com outras organizações... – isso ao mesmo tempo em que nos divertíamos e compartilhávamos da vida cultural pernambucana. Criar um bloco de Carnaval foi a escolha óbvia! Quanto à peça, somos todos atores e o trabalho no hospital não supre o desejo de estar em cena, são coisas diferentes. Éramos um grupo, tínhamos uma linguagem comum, então decidimos criar o espetáculo. Que somos nós: nossos palhaços, nossas improvisações, amarradas e conduzidas pela direção de Fernando. Infelizmente eu não pude receber o prêmio pessoalmente, estava em treinamento em São Paulo, mas fiquei contentíssima, primeiro por demonstrar um reconhecimento de algo tão pessoal, segundo por legitimar, de alguma maneira, aquilo que eu vinha fazendo nos hospitais nos últimos anos. (Leia ao final da matéria um depoimento de Rita Carelli e Marcelino Dias sobre seu trabalho no Hospital da Restauração, no Recife).

Apresentação de Poemas Esparadrápicos, o Musical, com os Doutores da Alegria de Recife,
no SESC Vila Mariana, São Paulo (Rita aparece à esquerda)

JORNALISMO CULTURAL - Em janeiro de 2007, Poemas Esparadrápicos, o Musical teve apresentações no Teatro Alfa, em São Paulo, já sem sua presença no elenco. O que motivou sua saída, e como você avalia o período em que integrou os Doutores da Alegria?

RITA CARELLI - Até agora foi a experiência profissional mais rica da minha vida. Continuo apaixonada pelo trabalho no hospital como da primeira vez que pisei em um. Adorava chegar no hospital, incógnita, com a minha mochila no ombro e pensar: "Daqui a pouco vamos anarquizar isso aqui!" Faxineiro vai virar diretor; balcão de enfermagem, lanchonete; suporte de soro, microfone de show de calouros; corredor de enfermaria, desfile da enfermeira do mês, e por aí afora... Saí dos Doutores porque comecei a trabalhar cedo e queria estudar mais. Queria saber mais coisas, aprender mais técnicas, essa sensação não me abandonava. Então fui para Paris, estudar em uma escola internacional de teatro gestual, Jacques Lecoq, e fiquei lá por um ano. Foi ótimo.

JORNALISMO CULTURAL - Um ano antes de você ser premiada como Melhor Atriz no Vitória Cine Vídeo por sua atuação no curta Décimo Segundo (Leonardo Lacca, 2007), este filme foi vaiado no 40º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro porque o público não teria aceito a narrativa, digamos, "pouco televisiva" da obra. Como você lidou com essa vaia?

RITA CARELLI - A vaia não me chocou... talvez porque eu não estivesse lá! Mas o filme tem esse efeito, em geral as pessoas adoram ou detestam. É um filme lento e delicado, cheio de duplos sentidos, os personagens dizem banalidades mas na verdade estão falando de outra coisa, muito mais profunda. No CinePE (maio de 2008) também teve vaias, mas confesso que, já devidamente preparada, fiquei até satisfeita, isso acaba incitando o diálogo e a reflexão.

JORNALISMO CULTURAL - Você fez, juntamente com Diogo Balbino e Leonardo Lacca, os cenários do filme O Muro (2008), do pernambucano Tião, que já recebeu dois prêmios: em maio, o Regard Neuf (Olhar Novo) da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, e em julho o Grande Prêmio Cidade Vila do Conde, no 16º Festival Internacional de Curtas Vila do Conde, em Portugal. Que repercussão você imagina que esses prêmios possam ter em sua carreira? No Décimo Segundo, você também dividiu com Ana Cecília Drumond os créditos por maquiagem e cabelo; é sua intenção passar a se dedicar mais à parte técnica em cinema?



Ana Cecília Drumond e Rita Carelli durante
as filmagens de
Décimo Segundo. Foto: Filipe Oliveira.

RITA CARELLI - Não. No teatro eu gosto de cuidar de tudo, cenário, figurinos, mas em cinema gosto mesmo é de atuar. Acho a produção de cinema complicada, cara, e até agora sempre trabalhei em condições muito precárias, então tem que fazer um pouco de tudo para acontecer. Mas com o filme do Tião, O Muro, a coisa foi diferente. Estava engajada num trabalho artístico. Foi uma loucura, trabalhamos muito e com pouco dinheiro, os cenários eram complexos, cheios de "efeitos especias" que a gente tinha que dar um jeito e o resultado me deixou tão satisfeita que... sabe-se lá o que o futuro nos reserva, não é? Espero que os prêmios em Cannes e Vila do Conde sejam um estímulo para essa produção guerrilheira pernambucana, e que eles continuem a me chamar para trabalhar nas próximas produções!

JORNALISMO CULTURAL - O que você pode nos falar sobre os outros filmes pernambucanos em que atuou, os curtas A Vida é Curta (Leo Falcão, 2005), o primeiro a ser filmado em digital em Recife, e Eisenstein (Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião, 2006), e o média O Diabo no Copo de Leite (Eduardo Duarte, 2005)? Esqueci de algum?

RITA CARELLI - A Vida é Curta foi o primeiro filme do qual participei e a experiência me marcou bastante. Fiquei absolutamente fascinada com a intensidade desse momento, no set de filmagem, onde todos, independentemente da função, estão completamente concentrados no plano que está sendo rodado, o trabalho minucioso de tantas pessoas para que o filme aconteça... deixou um gostinho de quero mais. Eisenstein eu acho um filme injustiçado. Considero um curta excelente e estou abismada com a pouca circulação e recepção que ele está tendo. Sobretudo no Brasil. Além d'O Diabo no Copo de Leite tem O Homem que Matava sem Motivo, de Ernesto de Carvalho, que ainda não saiu, e eu mesma também comecei a rodar um filme, Ismália, com o resto dos negativos que ia colecionando, mas infelizmente não tive dinheiro para terminá-lo. Aqui na Bahia, já participei neste ano de um curta, 13 de Dezembro, dirigido por Daniel Fróes, e também do longa O Trampolim do Forte, de João Rodrigo.

JORNALISMO CULTURAL - Você mencionou num e-mail que me enviou que, antes de ir a Cannes, faria "curta temporada num café-teatro de marionetes, em Friburgo, na Suíça". Pode falar sobre isso?

RITA CARELLI - Posso sim. Conversei com o organizador do festival e resolvemos deixar a minha ida à Suiça para 2009, para dar tempo de resolvermos algumas pendências. Não é um espetáculo com marionetes, de fato, mas tem um boneco que aparece no final. Um indiozinho, justamente...


Rita Carelli em ensaio da fotógrafa Mariana David
(figurino: Clara Cardoso)

JORNALISMO CULTURAL - Em 2002, você foi aprovada para a 2ª etapa do vestibular de Letras da UFPE. Você chegou a cursar? Concluiu o curso?

RITA CARELLI - Fiz três anos de Letras. Estava me encaminhando para a pesquisa e a crítica literária. Mas o trabalho nos Doutores, a peça nos finais de semana, os ensaios à noite, os filmes nos feriados, acabaram fazendo com que eu renunciasse ao curso. Achei que as coisas estavam indo bem como atriz... Espero que eu não tenha me enganado!

JORNALISMO CULTURAL - Em 2005, você inscreveu na seleção de Artes Cênicas do BNB um projeto intitulado A Casa da Flor-de-Lotus. Ele foi aprovado? Você o montou?

RITA CARELLI - Não. Esse é um dos projetos engavetados. Construi cenário, fiz os figurinos, tudo no maior capricho. Apresentei trechos desse espetáculo em situações diversas, mas nunca o consolidei. É essa vida de ficar inscrevendo projetos em editais culturais, investindo à beça... e engavetando uma boa parte dos sonhos por falta de recursos ou apoio. É muito cansativo ficar se produzindo além de criar e às vezes acabo abrindo mão.

JORNALISMO CULTURAL - O que motivou sua mudança para Salvador?

RITA CARELLI - O Teatro Vila Velha. Tenho um grande desejo de dirigir para teatro e senti que no Vila, teatro com o qual eu tenho uma relação há muitos anos, eu poderia ter uma abertura. Fui muito bem recebida pel' A Outra Companhia de Teatro, e depois de atuar em uma peça com eles, Vinício de Oliveira Oliveira, diretor da companhia, generosamente me abriu a possibilidade dirigir uma montagem. Tenho algumas adaptações escritas na bagagem e é com muito entusiasmo que me lanço nessa aventura. Depois parto para onde os bons ventos soprarem!

JORNALISMO CULTURAL - Seu trabalho em teatro na Bahia me parece bem diversificado: em março, você atuou na nova montagem de um texto consagrado de Hadyl Linhares, O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru, com A Outra Cia. Já em abril, você dirigiu uma apresentação da obra do compositor francês Camille Saint-Saëns, "Carnaval dos Animais", com a OSBA, dentro da série de Concertos Didáticos dirigidos ao público infanto-juvenil. E agora em dezembro você estréia com A Outra Cia. Três Histórias para Lembrar, dividindo com Luiz Antônio Jr. e João Milet Meirelles a direção da colagem de três peças curtas de autores de países de língua portuguesa. É você quem busca essa diversidade, ou ela acontece ao natural?

RITA CARELLI - Eu tenho sem dúvida uma atração pela diversidade e vários campos de interesse, o que acaba me tornando apta a vários projetos. Sou um pouco camaleônica, o que, olhando de fora, pode dar um ar de dispersão, mas para mim não há a menor contradição nesses vários domínios em que atuo: todos se completam e estão a serviço da expressão de um universo pessoal coeso. Também tenho prazer em me doar a projetos alheios, ser a pedrinha da construção do outro. Paralelo a isso tem a dificuldade de se viver de arte. Ser eclético é uma maneira de ir contornando os obstáculos e ir tocando o barco.

Cena de A Ilha, da montagem Três Histórias para Lembrar,
estréia de Rita Carelli na direção. Foto: João Meirelles

 

Saiba mais:

***

"Histórias de Palhaços nos Hospitais

Trechos recolhidos dos relatórios do nosso trabalho dos hospitais, feitos mensalmente por nossos artistas.

Médico Maluco

Mas rico mesmo foi o Bloco do Miolinho Mole que este ano contou com dois carros alegóricos. Gil, na alegoria “farofa de ovo” na cadeira de rodas amarela, e Jão, simbolizando o “pudim confeitado” na cadeira de rodas cor-de-rosa. Segura:

“Ai, ai ai ai, ai ai ai ai ai ai ai
Nosso miolo é mole ai!”

Para Kelzinha e outros pacientes impossibilitados de acompanhar o bloco pelos corredores do hospital, fizemos o habitual atendimento leito-a-leito. Kel é uma paciente nova que tem deficiência visual e aguarda uma cirurgia na cabeça. Fomos a ela nos apresentar. Contamos a ela quem somos e o que fazemos. Dr. Micolino, não satisfeito, “mostrou” a Kel seus intrumentos médicos e ainda a deixou tocar em seu rosto:

- Veja Kel, como eu tenho chapéu de médico, cabelo de médico, nariz de médico...

Ao tocar em seu nariz, Kel deu um pulo e exclamou:

- Que médico maluco!

Foi amor ao primeiro toque! Que bom é poder transformar pequenos limites em novas possibilidades.

Dra. Clara Clarabela (Rita Carelli) e Dr. Micolino (Marcelino Dias)
Fevereiro - Hospital da Restauração/ Recife
(Trecho do "Relatório de Atividades 2005 dos Doutores da Alegria")"

SubirDr. Micolino (Marcelino Dias) e Dra. Clara Clarabela (Rita Carelli)
(Foto: Ernesto de Carvalho)

Copyright © 2008 Brasileirinho Produções Ltda.