Por Karine Serezuella
Nos
meses de novembro e dezembro de 1969 foi realizado o V Festival de Música
Popular Brasileira no Teatro Record-Augusta. Diferente dos outros festivais da
TV Record, Marco Antônio Rizzo - antes assistente - assumiu o lugar de Solano
Ribeiro e dirigiu o evento.
Após incêndios que destruíram
palcos da emissora no mesmo ano, a TV colocou no ar um programa polêmico
para reerguer os ânimos e a audiência. O Quem Tem Medo Da Verdade?
resumia-se a um tribunal como cenário no qual um convidado era acusado,
defendido e julgado.
O sucesso do programa fez a equipe de produção
do V Festival apostar em uma adaptação do Quem Tem... para
evento musical. As canções foram avaliadas pelo júri oficial,
mas após a apresentação de cada música, ocorria um
julgamento - convidados faziam acusações e outros defendiam a letra
e/ou melodia.
O júri era formado pelos radialistas Fausto Canova
e Moraes Sarmento, o poeta Paulo Bonfim, os maestros Gabriel Migliori, Hervê
Cordovil e Severino Filho e as cantoras Maysa e Aracy de Almeida. Já nos
grupos de debate, um era composto por jovens da platéia e outro constituído
por Agostinho dos Santos, João de Barro, os jornalistas Liba Friedman e
Arley Pereira e o radialista Randal Juliano.
Os quatro programas do
V Festival contaram com 42 músicas classificadas para as eliminatórias.
A primeira foi no dia 15 de novembro e as outras nos dias 22 e 29. Os programas
foram marcados por problemas no som - os júris não ouviam as músicas
com clareza e alguns intérpretes não ouviam ou ouviam atrasado a
orquestra, localizada no canto do palco.
O festival não obteve
repercussão na mídia como os anteriores. A idéia do debate
não criou polêmica como desejava a produção do festival.
O "tribunal" foi marcado por comentários apelativos e pouco argumentativos
como o de Sílvio Luiz ao concorrente Tom Zé: "Tom Zé
é mesmo uma besta quadrada".
Na final no dia 6 de dezembro,
o terceiro lugar ficou com "Comunicação", de Edson Alencar
e Hélio Gonçalves Mateus, interpretada por Vanusa. O segundo foi
para "Clarice" de Eneida e João Magalhães. A música,
censurada e depois liberada pelo governo, foi interpretada por Agnaldo Rayol acompanhado
do Trio Mocotó.
A vencedora do Festival foi a música "Sinal Fechado", composta e defendida por Paulinho da Viola. De acordo com o livro A Era dos Festivais, de Zuza Homem de Mello, a letra, inspirada em um sonho do compositor, remetia muito bem à época da ditadura - a dificuldade de diálogo, a necessidade de fuga e um final sem fim.
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