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IV FESTIVAL DA RECORD (1968) - O INÍCIO DO FIM

Por Ludmila Ribeiro

Marcado por diferentes festivais, pelas inovações estético-musicais e pelo massacre da ditadura, 1968 foi ainda o ano do derradeiro festival importante da TV Record (o último ocorreria em 1969).

Sem a presença de grandes nomes, como Elis Regina, que não participou do evento, a emissora conseguiu repetir a façanha que definiu a sua trajetória: lançou grandes nomes da MPB, como aconteceu com Chico Buarque, Geraldo Vandré e Edu Lobo, dentre outros, mesmo que isso tenha ocorrido em meio a desgastes, turbulências e a pressão política da época.

A Tropicália, movimento musical encabeçado pelos baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e com adesão de Nara Leão e d' Os Mutantes, representava a corrente revolucionária do festival. A tradição estava associada ao samba, mas isso não impediu que surgissem inovações como Elza Soares, que causou alvoroço na platéia cantando "Sei Lá Mangueira", de Hermínio Bello de Carvalho com inusitada parceria do portelense Paulinho da Viola; ou Martinho da Vila, que a partir da interpretação do partido-alto "Casa de Bamba" teve sua carreira consolidada.

Mudanças vieram também no formato do júri, que nesse ano teve julgamento paralelo com participação popular. A reivindicação dos compositores que não queriam ser avaliados por um único júri assim foi atendida e nos cartazes de divulgação do festival estava presente o jargão "Você também é juiz". Houve a democratização da votação, mas o veredicto final seria dado pelo júri oficial.

O processo de seleção se repetiu e foram selecionadas 36 músicas dentre mais de mil inscritas. Entre os desencontros do júri popular, que surpreendeu o público ao ter o comportamento que se esperava do júri oficial e vice-versa; as vaias para Jorge Ben, Joyce e Roberto Carlos; e os louros para Edu Lobo e Marília Medalha, Elza Soares e Martinho da Vila, quem agradou a platéia mesmo foi a dupla tropicalista Gal Costa e Tom Zé. Interpretando "Divino, Maravilhoso", de Gil e Caetano, Gal surpreendeu a todos com sua voz potente e ousada e saiu do palco aos gritos de "Já ganhou!", mas o premiado foi Tom Zé com a sua irônica homenagem à terra da garoa na canção "São, São Paulo Meu Amor".

Com arranjo de Damiano Cozzella, participação de Flávio Teixeira, Roni Júlio e Os Brasões e com interpretação do Canto 4 e Tom Zé, "São, São Paulo Meu Amor" puxou um coro de mais de 2 mil pessoas na hora do resultado. Era o marco final de uma era que fez história na televisão brasileira, e que mesmo tendo outros festivais, nunca mais se repetiu.

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