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III FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA,
A NOVA MÚSICA ESTÁ NO AR

Por Gleice Meire

Quem me dera agora eu tivesse a viola prá cantar, ponteio/ Quem me dera agora, eu tivesse a viola prá cantar, prá cantar/ Era um, era dois, era cem, era o mundo chegando e ninguém, que soubesse que sou...
"Ponteio" (Edu Lobo - Capinam)

Eu vou, sem lenço, sem documento/ Nada no bolso ou nas mãos/ Eu quero seguir vivendo, amor/ Eu vou, por que não?/Por que não?...
"Alegria, Alegria" (Caetano Veloso)

O rei da brincadeira - ê, José/ O rei da confusão - ê, João/ Um trabalhava na feira - ê, José/ Outro na construção - ê, João...
"Domingo no Parque" (Gilberto Gil)

É improvável que alguém não se lembre dos versos de ritmo ligeiro de "Ponteio", composta por Edu Lobo e Capinam. Em1967 a canção vibrou para uma platéia de 2 mil pessoas no Teatro Paramount, na apresentação impecável de Edu Lobo e Marília Medalha acompanhados do Quarteto Novo e do conjunto vocal Momento Quatro, levando o troféu Viola de Ouro como primeira colocada no III Festival de Música Popular Brasileira, 1967.

A terceira edição do Festival da Record, organizado por Solano Ribeiro, representou uma mudança de paradigma na Música Popular Brasileira. Consagrou Gilberto Gil e Caetano Veloso. Gil cantou "Domingo no Parque" e inovou inserindo a guitarra elétrica em sua melodia, acompanhado do grupo de rock, de influência inglesa, Os Mutantes. Ele introduziu o pop na Música Popular Brasileira. Caetano é festejado pelo público com "Alegria, Alegria", música que se tornaria um dos hinos no movimento contra a ditadura. Ambas as músicas ficariam marcadas, posteriormente, com o movimento musical tropicalista, encerrado pelo AI-5.

As premiações privilegiaram a inovação e a ousadia nos arranjos e letras; em época de repressão ditatorial e radicalização da esquerda, o público buscava nas músicas um sentido político de mudança. Prova disso, está no rol das campeãs, o segundo prêmio foi para Gilberto Gil com "Domingo no Parque", o terceiro para Chico Buarque com "Roda Viva', Caetano em quarto com 'Alegria, Alegria" e Roberto Carlos em quinto com "Maria, Carnaval e Cinzas" (Luiz Carlos Paraná). Melhor letra: "A Estrada e o Violeiro" (Sidney Miller), melhor intérprete: Elis Regina, "O Cantador" (Dori Caymmi - Nelson Motta); melhor arranjo: Rogério Duprat, "Domingo no Parque".

Zuza Homem de Melo analisa, em seu livro A Era dos Festivais- uma Parábola, o comportamento agressivo instituído no público, que, com vaias e torcidas organizadas, aterrorizavam os candidatos. Ele explica que a platéia era composta por um público variado já acostumado, por meio dos shows televisivos, com a diversidade musical, o que facilitava a formação de torcidas. Além disso, os jovens se aglomeravam em busca de defender as canções que abordassem questões sociais e de liberdade, as que não atendiam a esse anseio eram prejudicadas com vaias e protestos.

Um personagem que se eternizou na história dos festivais, vítima da temida platéia, foi Sérgio Ricardo. O público não se conformou com a classificação de sua composição "Beto Bom de Bola" para a final e responde com um festival de vaias, Sérgio se irrita e... Imaginem só.... Quebra o violão num banquinho e atira-o contra o público.

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