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II FESTIVAL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - TV RECORD (1966)

Por Mirella Falcão

Quando a Record anunciou que promoveria o seu II Festival da Música Popular Brasileira em 66, muitos acharam que seria o segundo porque a TV Excelsior fez o primeiro no ano anterior. Um engano que permanece até hoje, quando na verdade a Record lançou o seu primeiro festival em 60, muito antes da versão criada pela concorrente. O II Festival da Record ficou conhecido pelo histórico empate artificial entre as músicas "A Banda", de Chico Buarque, e "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros, cujo verdadeiro resultado permaneceu em segredo durante anos.

Na TV Record, os programas musicais faziam sucesso, como o Jovem Guarda, apresentado pela turma de Roberto Carlos, e O Fino da Bossa, com Elis Regina e Jair Rodrigues. Solano Ribeiro havia pedido demissão na Excelsior e Paulinho Machado de Carvalho, dono da TV Record, não perdeu tempo em contratá-lo para dirigir a segunda edição do festival, juntamente com o jornalista Alberto Helena, que deu assistência a Solano.

Julio Medaglia, Raul Duarte, Roberto Corte Real, Roberto Freire e César Camargo Mariano participaram da seleção das 2.635 músicas para chegar às 36 que concorreriam nas três eliminatórias. Eles também viriam a fazer parte do júri, junto com Sílvio Cardozo, Luís Guedes, Mário Lago, Franco Paulino, Paulo Vanzolini, Denis Brean e Alberto Medauar. A emissora escolhia os intérpretes entre seu cast de cantores, embora o compositor pudesse fazer sugestões.

Marcou a história dos festivais a polarização do público em torno da preferência pelas músicas "A Banda" e "Disparada", esta última defendida por Jair Rodrigues. "A Banda" era a favorita do público por ser uma marcha fácil de cantar, festiva e contagiante, além do par jovial formado por Chico e Nara Leão. Os mais politizados defendiam a escolha de "Disparada", uma canção épica que valorizava a música sertaneja, trazendo inovações no arranjo musical, como o uso da queixada de burro como instrumento musical.

O verdadeiro resultado dava a vitória para "A Banda", com 7 votos contra os 5 de "Disparada". Chico Buarque se negou a receber o primeiro lugar sozinho, dizendo que devolveria o prêmio em público. A saída encontrada por Paulinho Machado foi declarar empate. Chico, que sempre evitou comentar a sua atitude nessa final, depois do II Festival da Record, entrou para a história da MPB como um dos mais queridos compositores.

O evento foi sucesso de audiência e de público. O tom político de canções como "Ensaio Geral", de Gilberto Gil, marcariam os festivais daí em diante. Os compositores sentiram que, com a penetração na TV, o festival sedimentara a música brasileira popularmente, criando-se a idéia de usá-la como instrumento para a revolução contra a ditadura.

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