Por Marcio Buzatto
O maestro húngaro Pablo Komlós, cujo centenário foi comemorado em 2007, teve sua carreira de regente dividida em duas fases: a européia e a sul-americana.
Nascido a 15 de setembro de 1907, destacou-se desde cedo como regente da Ópera Municipal de sua cidade natal, Budapeste. Na época, a cidade se constituía num importante centro cultural e artístico, ecoando a intensa atividade musical que partia de Viena, a capital da Áustria e também da música européia na ocasião. Aos 18 anos, após seu contato com Zoltan Kodaly e Leo Winter, Komlós fez sua primeira regência de ópera: Carmen, de Bizet.
A Segunda Guerra Mundial (1939-45) obrigou-o a vir para a América do Sul, instalando-se primeiramente em Montevidéu, onde desenvolveu intensa atividade como regente e professor de canto e ópera. Em 1950, aceitou o convite para fundar a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, da qual foi regente titular e diretor artístico por 27 anos.
A iniciativa da formação de um coral sinfônico surgiu de
convênio entre a OSPA, dirigida por Komlós, com a Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, para a realização de concertos na
Universidade. Uma centena de estudantes aceitou o convite feito pelo maestro,
que percorreu pessoalmente todas as unidades de ensino. O Coral da UFRGS, portanto,
foi criado para atuar junto à OSPA. O objetivo foi dar nova característica
aos concertos, atraindo a platéia jovem.
Na primeira apresentação, em 1961, uma platéia lotada,
sob a curiosidade acadêmica e a desconfiança da cidade inteira,
ouviu Aída de Verdi, em forma de concerto. Seguiram-se óperas,
cantatas, sinfonias e oratórios, como Tanhäuser, Carmina
Burana, Rei Davi, Nona Sinfonia, Madame Butterfly
e muitos outros espetáculos que emocionaram milhares de pessoas.
Os mais antigos integrantes do Coral lembram de Komlós como um músico
vibrante, aglutinador - e, por vezes, severo. Seu carisma de visionário
fez de Porto Alegre um pólo da música erudita de repercussão
nacional e além-fronteiras.
Com ele o Coral da UFRGS participou dos principais espetáculos musicais levados a efeito em Porto Alegre na década de 60. Apresentou-se também nas inaugurações do do novo Auditório Araújo Viana de Porto Alegre, no parque da Redenção, e do Teatro Guaíra de Curitiba, além dos tradicionais Teatro Sodre de Montevidéu e Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Em1977 sentiu-se mal durante um concerto em Torres, regendo a Nona Sinfonia de Beethoven. Doente, entrou em coma no ano seguinte. É curioso que tenha partido no dia 26 de março de 1978, mesmo dia em que morreu seu ídolo Beethoven.
Pablo Komlós deixou a vida terrena, mas não perdemos a raiz que plantou, o carinho que a faz reverdecer até hoje e que continuará forte na geração de seus frutos.
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