Por Mirella Falcão
Pela primeira vez, um festival seria transmitido
em cores para o Brasil. Aliás, a palavra de ordem na organização
do FIC de 72 era trazer muita cor ao palco. E assim, o símbolo que marcou
outras edições do FIC, o galo desenhado por Ziraldo, deu lugar a
um outro galináceo mais estilizado e colorido.
As mudanças
não pararam por aí. Tendo como meta reduzir os custos na produção
do FIC, a TV Globo decidiu diminuir a participação de artistas e
jornalistas estrangeiros, alterando um conceito defendido por Augusto Marzagão,
que depois de comandar os seis primeiros festivais, fora substituído. José
Otávio de Castro assumiu a direção da fase internacional
e Solano Ribeiro, que esteve à frente dos festivais da Excelsior e da Record,
dirigiu a nacional.
Para selecionar as 30 músicas, entre as 1.912
inscritas, compunham a comissão: César Camargo Mariano, Julio Medaglia,
Roberto Freire, Décio Pignatari e Sérgio Cabral. Esses três
últimos viriam participar também do júri, juntamente com
Mário Luís Barbato, Rogério Duprat, Alberto de Carvalho,
João Carlos Martins, Guilherme Araújo, Big Boy e Walter Silva. Nara
Leão presidiu o júri que classificou 14 músicas para a final.
Esse
júri, contudo, foi afastado da final nacional por ordem dos militares,
que não gostaram de entrevista dada por Nara Leão, fazendo duras
críticas ao governo. Um novo júri de gringos selecionou duas músicas
para a competição internacional, gerando uma série de protestos
e pancadaria.
Na final nacional, Roberto Freire, ao tentar ler um manifesto
representando o júri expurgado, foi arrastado do palco e brutalmente espancado.
No manifesto, depois lido pelo apresentador Murilo Néri, defendia-se a
escolha de "Cabeça", de Walter Franco, e "Nó na Cana",
de Ari do Cavaco e César Augusto.
Entretanto, as canções
ganhadoras foram "Fio Maravilha", composição de Jorge
Ben defendida por Maria Alcina, e "Diálogo", samba de Baden Powel
e Paulo César Pinheiro, interpretado por Cláudia Regina e Baden.
Nenhuma das composições brasileiras saiu vitoriosa na fase internacional.
Com
duas canções classificadas, "Let Me Sing, Let Me Sing"
e "Eu Sou Eu, Nicuri É o Diabo", Raul Seixas foi uma das estrelas
descobertas no FIC, sendo depois consagrado como o ídolo do rock brasileiro.
Um milhão de dólares de despesas e um prejuízo de 400 mil dólares. A participação de público, o "charme" dos festivais, foi bastante fraca. A média de 5.000 pessoas deixou o Maracanãzinho quase vazio. O Ibope ainda registrou baixos índices de audiência. Diante desse quadro, a Globo anunciou que não realizaria o FIC de 73, o que para muitos foi considerado o fim da Era dos Festivais.
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