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II FESTIVAL NACIONAL DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA -
TV EXCELSIOR

Por Tharita Chimenez

Das 2.779 inscritas, 50 selecionadas. De três classificadas em cinco etapas, a lista da final chega, em São Paulo, com 18 concorrentes. 18? Feito de uma estranha matemática, o II Festival Nacional de Música Popular Brasileira (abril e junho de 1966) entra em cena no desencadear da crise que levaria ao fechamento da TV Excelsior em 1970, mas não deixa de ser palco para Clara Nunes e Milton Nascimento nem de consagrar Geraldo Vandré como "compositor dos festivais", a partir de "Porta Estandarte".

Com o sucesso do I Festival da TV Excelsior (1965), renova-se o contrato com a Rhodia e em dezembro já está tudo pronto. Revista Manchete e Folha de S. Paulo darão apoio. O idealizador do Festival, no entanto, pede demissão após saber que o evento será aos moldes do patrocinador. Solano Ribeiro é substituído pela direção de Roberto Palmari (amigo de Livio Rangan da Rhodia), Waldemar de Morais (produtor da emissora) e Kalil Filho (um dos apresentadores) que erram ao não transmitir ao vivo as eliminatórias. Ponto negativo também é a falta dos "astros de festival". Chico Buarque, Jair Rodrigues e a própria Elis Regina, revelada na Excelsior com "Arrastão", têm contrato exclusivo com a TV Record.

No Guarujá, a primeira eliminatória recebe os seis componentes fixos do júri: o poeta Paulo Mendes, os maestros Eduardo de Guarnieri, Diogo Pacheco, Guerra-Peixe e Radamés Gnattali e o cronista Rubem Braga - substituído pelo crítico Lúcio Rangel. Acompanhados pelo show de Elza Soares, Lennie Dale e Bossa Três, entre os intérpretes, destaca-se Clara Nunes - famosa nos anos 70. Em Porto Alegre, Milton Nascimento, que lera no jornal a oferta de vagas, classifica sob aplausos "Cidade Vazia". Uma falta de energia transfere a terceira etapa do Sport Clube do Recife para o auditório da TV Jornal do Comércio onde se ouve "Acalanto" pelo piano de Pedrinho Mattar e o ninar da voz de Ivete.

Da fachada do Museu dos Inconfidentes, sai "Porta Estandarte" - única a ser defendida por dois cantores: Airto Moreira e Tuca. No Rio, a última eliminatória conta com show de Elis (cedida pela Record), Lennie e Vandré. E uma semana depois, o júri inclui à lista das 15 finalistas, mais quatro: "Comunhão", "Fim de Tristeza", "Prelúdio para um Amor que Começou" e "Balança a Roseira". Surpresa também é a ausência de "Joga a Tristeza no Mar" no anúncio de que 18 músicas concorreriam. Mas o Berimbau de Ouro ficou com Airto e Tuca e os 20 milhões de cruzeiros com Vandré e Fernando Lona (outros 20 milhões seriam divididos até o quinto lugar). "Porta Estandarte" é a engenhosidade que vence.

II Festival Nacional de Música Popular (1966)
Realização: TV Excelsior / São Paulo (SP)
Patrocínio: Rhodia S.A.
Período: abril-junho de 1966

Júri:
Diogo Pacheco
Eduardo de Guarnieri
Guerra Peixe
Paulo Mendes Campos
Radamés Gnatalli
Rubem Braga

Eliminatórias:
1ª: Guarujá (SP) - 29/4/1966
2º: Porto Alegre (RS) - 6/5/1966
3ª: Recife (PE) - 14/5/1966
4ª: Ouro Preto (MG) - 20/5/1966
5ª: Rio de Janeiro (RJ) - 27/5/1966
Final: São Paulo (SP) - 5/6/ 1966

Classificação final:
1º) "Porta Estandarte" (Geraldo Vandré - Fernando Lona) Airto Moreira e Tuca
2º) "Inaê" (Vera Brasil - Marlene Costa) Nilson
3º) "Chora Céu" (Luis Roberto - Adilson Godoy) Cláudia
4º) "Cidade Vazia" (Baden Powell - Lula Freire) Milton Nascimento
5º) "Boa Palavra" (Caetano Veloso) Maria Odete

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