Por Leandro Lopes
No início dos anos 60, um forte movimento da Bossa Nova, na cidade de São Paulo, fez Solano Ribeiro de Faria convidar dois jornalistas, Moraci do Val e Franco Paulino, para estruturarem um projeto que ganharia o nome de Tardes da Bossa Paulista. Uma espécie de roda de amigos onde se faziam valer talentos musicais.
Em pouco tempo o projeto ganhava repercussões jamais esperadas pelos criadores. Isto forçou Solano Ribeiro a alugar o antigo Teatro de Arena, para ter mais espaço e dar mais conforto a participantes e espectadores. O segundo passo foi ocupar os estúdios da TV Excelsior e definitivamente ganhar a admiração dos apaixonados por música brasileira. O programa passou a ser chamado de Primavera Eduardo É Festival de Bossa Nova, por causa do patrocinador, as Lojas Eduardo.
Segundo Solano, o programa teve como fonte inspiradora o Festival de San Remo, na Itália. Mas os italianos tinham sérias interferências de gravadoras e, no Brasil, Solano quis inventar e inverter, tendo como objetivo revelar nomes para que depois as gravadoras "guerreassem" pelos novos talentos. Foi assim que surgiu o primeiro Festival de Música Popular Brasileira, na TV Excelsior, em 1965.
A música "Arrastão", de autoria de Edu Lobo e Vinicius de Moraes e interpretada por Elis Regina, foi a sensação do primeiro festival, realizado no Guarujá, litoral de São Paulo, durante o mês de abril de 1965. "Arrastão" ficou em primeiro lugar. Seus autores faturaram uma gorda quantia em cruzeiros e um Berimbau de Ouro pela colocação. Para surpresa e desagrado de muitos, a segunda colocada foi "Valsa do Amor que Não Vem", de Baden Powell e também com letra de Vinicius, sendo interpretada por Elizeth Cardoso.
A imprensa divulgou na época que Vera Brasil, a autora, e Claudete Soares, a intérprete, diziam poucos momentos antes do concurso que ficariam felicíssimas se "Eu Só Queria Ser" alcançasse um quinto lugar. Porém, a música arrebatou o terceiro. O quarto lugar foi "Queixa", defendido por Ciro Monteiro e de autoria de Zé Kéti, Sidney Miller e Paulo Thiago. Wilson Simonal cantou a quinta classificada, que foi "Cada Vez Mais Rio", de Luís Carlos Vinhas e Ronaldo Bôscoli.
Curiosidade
Wilson Simonal não ficou satisfeito com o resultado do Festival. Tanto não ficou que na hora em que Bibi Ferreira chamou ao palco os cinco premiados, Simonal recusou-se a comparecer. Justificou seu descontentamento dizendo que "Arrastão" não podia ganhar porque não era música popular. Segundo ele, a primeira colocada era música regional e, sendo assim, não podia entrar num concurso cujas vencedoras devem ser entendidas do Oiapoque ao Chuí.
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