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FESTIVAL DA CULTURA (2005) - 2ª ELIMINATÓRIA

Mais do mesmo na segunda eliminatória do Festival Cultura

Palmas, Críticas e Vaias

O NOVO preenche o VAZIO?

Mais do mesmo na segunda eliminatória do Festival Cultura

Por Reuben da Cunha

Após a segunda eliminatória do Festival Cultura - A nova música do Brasil, ocorrida na última quarta-feira (10/8), no Teatro do Sesc Pinheiros (SP), permanece a dúvida: onde, no que foi apresentado, está o "novo"?

Alguns artistas selecionados para esta segunda eliminatória já eram conhecidos do público, como Dante Ozzetti e Luis Tatit (cuja composição, "Achou", foi defendida pela igualmente conhecida Ceumar) e Thomas Roth (que já assinou parcerias com Emílio Santiago, Beto Guedes e Roupa Nova). Como os próprios apresentadores fizeram questão de frisar, até os menos conhecidos já atuam na música há algum tempo. Caso de Rafael Altério, autor de "Paçoca, Costelinha e Ovo Frito", com dois CDs gravados e 15 anos de estrada.

As composições apresentadas também trouxeram poucas surpresas. Duas delas foram as classificadas "Contabilidade" (de Danilo Moraes - filho do apresentador Wandi Doratiotto), rica em arranjo e harmonia, e com uma letra muito bem construída; e "Pra Onde Vamos Nós", de Thomas Roth. De resto, o que se viu e ouviu do palco do Teatro do Sesc pode ser facilmente enquadrado em qualquer rótulo musical já conhecido.

Emblemática, nesse sentido, foi a apresentação de "Rei do Pedaço" (de Guilherme Lacerda, e interpretada por Diogo Nogueira, filho de João Nogueira), à qual se seguiu um discurso em prol da "juventude que faz samba direito, como nos velhos tempos".

O ponto fraco da noite ficou por conta da previsível e comportada (e classificada, aliás) "Cassorotiba" (de Marília Medalha e Dulcinea Innecco), cujos versos iniciais lembram o pior da velha bossa: "um vaga-lume/ uma noitinha/ faz silêncio na cozinha".

A apresentação do espetáculo quase foi comprometida pelas tentativas mal-sucedidas de improviso e, em alguns casos, pelo despreparo. A simpatia de Sabrina Parlatore não disfarçou o vazio de algumas perguntas feitas aos músicos, Wandi Doratiotto estava bem menos à vontade do que de costume e Magda Pucci se encarregou de fazer os comentários mais desnecessários e equivocados (como quando falou da influência que o escritor "Guimarães Rosas" exerce sobre o músico Roberto Oliveira). Quem improvisou bonito mesmo, e sem gaguejar, foi Rodrigo Rodrigues, o jornalista "plantado" na platéia.

Apesar do discurso de que "o importante é participar da festa", repetido exaustivamente pelos apresentadores e por alguns músicos, o clima de competição estava bastante acentuado na platéia que, antes mesmo do início das apresentações, se mostrava dividida em torcidas. Subir

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Palmas, Críticas e Vaias

O saudosismo dos festivais marcado pela atuação da platéia

Por Patrícia Guimarães e Tonica Moura Leite

"Hoje é festa pruma noite inteira", anunciava a canção "Girando na Renda", interpretada por Roberta Sá e Pedro Luis e a Parede. E para eles deve ter sido mesmo, já que foram um dos classificados da 2ª Eliminatória do Festival Cultura: A Nova Música do Brasil, transmitida ao vivo do Sesc Pinheiros na última quarta - feira, 10 de agosto.

Sob a regência de um maestro que trajava fraque, e botas no "estilo alpinista", a banda de Pedro Luis animou o público e conquistou os jurados, localizados estrategicamente ao lado esquerdo do palco, no alto. Aparado por fones de ouvidos e monitores de tv, o júri tinha a atenção totalmente voltada ao que acontecia no palco.

A segunda classificada da noite, anunciada pela apresentadora Cuca Lazarotto, que parecia pouco à vontade, foi a canção "Contabilidade". Assim a felicidade deixou de ser contada com "conta-gotas", para ser contada em "tonéis", como declararam os intérpretes Danilo Moraes e Ricardo Teperman a Sabrina Parlatore, antes mesmo do anúncio das classificadas.

Aplaudida de pé pelo público do teatro, a cantora Ceumar marcou seu espaço na etapa do Festival, com a música "Achou". Com letra de Dante Ozzetti e Luiz Tatit, a canção fez com que a platéia interagisse com palmas que acompanhavam o ritmo do violão de Ozzetti.

Foram classificadas também nessa fase as canções: "Haicai Baião", interpretada pelos mineiros Renato Motha e Patrícia Lobato, que misturava o som de flautas e violinos a zabumbas e triângulos; e "Cassorotiba", de Marília Medalha, na voz de Regina Jardim, a única valsa; além de "Pra Onde Vamos Nós?", canção de protesto, apresentada por Thomas Roth, Mamma Monstro e Orbital, essas duas últimas vaiadas pelo público ao serem classificadas. Às vaias, Marília Medalha respondeu "o público pra mim não é o que está na platéia, e sim o de casa, que é muito maior. O que está na platéia é muito amigo de um, amigo de outro, e isso pra mim não conta".

O público, por sua vez, protestou contra a escolha de músicos já conhecidos, e contestou o caráter de novidade da música mencionado pelos organizadores do festival.

Quem Não Foi, Não Viu

Quem enfrentou o frio de 13 graus da noite paulistana ajudou a compor uma platéia lotada, elegante e diversificada. Um público crítico, composto de diferentes faixas etárias, que disfarçou o ar de apenas mais um programa musical de televisão.

Os que chegaram cedo puderam acompanhar o Clube Caiubi, do Bairro de Perdizes, formado por compositores associados, organizar a sua torcida e seus cartazes, em ensaios antes que o Festival fosse ao ar.

Além disso, o público pôde transitar normalmente entre figuras como Chico César e Tetê Espíndola. Os dois também deram suas opiniões sobre o Festival. Para Chico César, "criar um espaço para as coisas que não estão no ambiente da mídia é super importante. A fórmula como vem sendo feita precisa ser renovada. A TV tem que chegar pra filmar o Festival, que não deveria ser feito só pra ser um espetáculo de TV".

Sobre o tema do Festival e o mote de diversidade, Chico ressalta "nada pode representar plenamente a música brasileira, nem um programa de TV, nem um de rádio, porque a música popular brasileira está em muitos lugares ao mesmo tempo, não cabe em fórmulas".

Quem concorda com o músico é Pedro Luis (e a Parede) "não é possível dizer o que é nova música no Brasil, porque a música é muito maior, e em todas as partes do país tem gente fazendo música... fica difícil tentar enquadrar".

Já Tetê Espíndola foi bem mais saudosista: "dá aquele nervosinho...esse clima de Festival é muito bom", e completou com suas preferências "gostei da música do Dante Ozzetti, interpretada pela Ceumar, que eu adoro. Aquela do 'Haicai Baião', eu achei muito bem bolada, e a música do Rafael Altério, porque eu acho a Rita (Altério) uma super letrista".

Já nos bastidores, o clima era de aparente tranqüilidade entre os técnicos e a produção do Festival. Entre os competidores, a tensão e a ansiedade tentavam ser disfarçadas a todo custo - "todos eles tentam manter a tranqüilidade, você percebe que existe uma integração entre eles, que um curte a música do outro", observou Sabrina Parlatore, que recebeu os músicos logo ao saírem do palco.

Sabrina disse ainda que sente uma segurança muito grande ao participar do Festival: "O Nico (Prado) é excelente. Eu já apresentei muitas coisas ao vivo e nunca vi uma organização tão grande, sempre dava alguma coisa errada, aqui não tem correria", completa.

Para Não Dizer Que SóFalei das Flores

Circula pelas listas de discussões da Internet (como em www.samba-choro.com.br) as falhas que tiram a credibilidade do Festival Cultura. Entre elas, o fato do regulamento não estar sendo cumprido à risca, já que grande parte das canções não é inédita. Outra coisa que incomoda o público é o fato de parentes da emissora poderem participar, é o caso do músico Danilo Moraes Doratiotto, filho de Wandi Doratiotto, apresentador do Bem Brasil, e comentarista do Festival.

Falando nisso, a falta de entrosamento entre Magda Pucci e Wandi Doratiotto gerou comentários entre as pessoas na platéia. A falta de conteúdo de ambos para improvisação quando o palco demorava um pouco mais para ser organizado, no intervalo entre uma apresentação e outra, gerou um incômodo que podia ser observado mesmo à distância, na produtora que coordenava a entrada dos dois comentaristas.

As piadinhas de Rodrigo Rodrigues, que colhia as impressões da platéia, com Sabrina Parlatore, também não caíram muito nas graças do público, que foi embora protestando com gritos que diziam "Marmelada" em razão do descontentamento com a classificação de músicos já conhecidos.

Sobre o episódio, Magda Pucci comentou "achei que o nível estava melhor, mas faço algumas restrições às escolhas".

O Festival deve contar ainda com mais duas apresentações dessa etapa, e mais duas eliminatórias da semifinal, até a final no dia 14 de setembro. Subir

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O NOVO preenche o VAZIO?

Por Tharita Chimenez

"Cem milhões a mais, cem milhões a menos". A frase que cabe no cenário político do "mensalão" e das CPIs foi ouvida no palco da segunda eliminatória do Festival Cultura - A Nova Música do Brasil. "Contabilidade" - composição de Danilo Moraes em parceria com Ricardo Taperman - foi uma das seis classificadas pelo júri na segunda eliminatória. Das 48 selecionadas pelo festival, as 12 canções da noite de quarta-feira não deixaram que o refrão dos milhões ecoasse sozinho.

O vazio dos discursos políticos e a visão banal da realidade embalaram o trem que percorre toda a letra de "Fictício" - escrita há mais de 20 anos por Guerreiro - empresário do ramo de restaurantes há 15 anos que levou o segundo lugar no festival da TV Globo em 2000. O "Ai, ai, ai..." em "Pra onde vamos nós?" esteve não só na voz do autor Thomas Roth, acompanhado pelas Bandas Mamma Monstro e Orbital, mas especialmente nos narizes de palhaço que, do palco à platéia, soaram o alerta vermelho: "a culpa é tua!" precisa mudar. Este foi o recado que fechou a noite. Antes, porém, o compositor Mongol - autor da vencedora "Agonia" no Festival MPB 80 - cantou o "que enche de esperança o vazio depois do carnaval". E o som de "Essa raça é massa" realmente encheu, ao menos o Teatro do Sesc Pinheiros, com as palmas aliadas ao berimbau e ao vocal do Rotnitxe, o grupo que, na contramão do extintor, incendiou o público.

Incêndio não motivado meramente por grandes nomes. Marília Medalha, consagrada intérprete de festivais, assinou a letra de "Cassorotiba" - uma valsa de grilos sob o luar fora do compasso da noite. E se luar lembra sertão, o "Sertão Urbano" do violeiro Bilora realmente virou mar. Nas ondas da embolada, do repente e do calango, a "aldeia de parede e meia" descobre-se oceano no hip-hop da cidade. Uma viagem inusitada pelo arranjo de viola, violino, tambor-onça e pandeirões - para olhos, ouvidos e muitos aplausos. Platéia e jurados, no entanto, não estavam na mesma lua. Vaias e mais vais pela não colocação de "Sertão Urbano" e a classificação de "Cassorotiba" entre as seis composições que se juntarão às classificadas da primeira eliminatória para a semifinal do dia 31 de agosto.

Ao lado da canção de Marília e dos milhões de "Contabilidade", classificaram-se "Girando na Renda" com Pedro Luís e a Parede, o maxixe que "Achou!" o amor, o trocadilho "um rai cai, um clarão" de "Haicai Baião" e "Pra Onde Vamos Nós" - com nariz de palhaço. Mas não só os jurados determinam os melhores encontro de letra, arranjo e interpretação. Composições fora do time das seis também promoveram encontros. A letra do paranaense Roberto Oliveira "Pega no Ar" e junta o norte, o Rio de Janeiro, mangue beat e pinga na moringa. E no encontro de gerações, Diego Nogueira interpreta um samba de breque um tanto cansativo, mas "Rei do Pedaço" não deixa de lembrar seu pai, criador e cantor de sambas falecido há mais de cinco anos, João Nogueira. A família estava mesmo à mesa em "Paçoca, Costelinha e Ovo frito" - na voz de Rafael Altério e ao som dos dedos do filho, a parceria com a esposa, a letrista Rita Altério.

Com um público que, diferentemente da primeira noite, lotou os mais de mil assentos do teatro, a noite da segunda eliminatória contou com qualidade de texto e desenvoltura dos apresentadores, além das entrevistas da platéia que, mais seletivas, fizeram surgir o saudosismo e até uma palinha de Tetê Espíndola e boas falas de Chico César ao repórter Rodrigo Rodrigues - o mangue beat à espera de outros marcos para a música brasileira. A Nova Música do Brasil? Subir

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