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FESTIVAL DA CULTURA (2005) - 1ª SEMIFINAL

Não foi dessa vez...
Transmissão TV Cultura: Quando um não quer, o outro não briga
Transmissão TV Cultura: Festival cada vez mais entrosado
Torcidas avivam Festival Cultura na primeira semifinal
Formato do Festival Cultura fica aquém do esperado
Personagem da platéia - a opinião do público no festival
A Nova Música Brasileira Pediu Licença do Festival da Cultura
O saldo positivo do Festival

Não foi dessa vez...

Por Anderson Ribeiro

Alguém consegue pensar em outra frase para quem não passou à próxima fase de qualquer coisa; seja de campeonato esportivo, seja de festival de música? Não sei se alguém falou na primeira eliminatória que aconteceu no dia 31 de agosto no Sesc Pinheiros, mas os concorrentes que não foram a final, devem ter saído cabisbaixos, com o "não foi dessa vez" na cabeça. Pelo menos, isso deve ter acontecido.

Algumas das músicas que ficaram de fora da grande final do dia 14 de setembro empolgaram o público e, se isso fosse pré-requisito para a classificação, com certeza "Pra Onde Vamos Nós?", seria uma das favoritas ao título. Caracterizados de palhaço, Thomas Roth e banda estavam mais à vontade, e para ajudar, havia muitos cartazes espalhados na platéia com a palavra "Ai", que eram erguidos quando ele cantava. Outra que fez o público bater palmas, acompanhando o ritmo dos tambores do marabaixo, veio do Norte, foi "Barco Negreiro" de Val Milhomem; ao final, as palmas se transformaram em aplausos, mas "Barco..." não encantou o júri, que para essa semifinal, aumentou de nove para doze pessoas.

Do lado oposto, "Hotel Maravilhoso" não conseguiu arrancar muitas palmas, apesar da interpretação marcante de Marina Machado, que emprestou à música um tom cênico, cinematográfico, acompanhando milimetricamente o compasso, personalizando a canção. Foi o tipo de interpretação que, em festivais da década de 1960, levaria a música à final (não a melodia), mas os tempos são outros e os jurados não se empolgaram. Na mesma reta seguiram "Um Samba a Dois" e "Toada", que passaram tranqüilamente, sem manifestação alguma do público, além de "Sai da Cruz", tão ovacionada na fase eliminatória, mas que não obteve o mesmo sucesso na semifinal. Élio Camalle estava nitidamente mais comportado, nem ele mesmo conseguiu sair da cruz. Subir

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Transmissão TV Cultura: Quando um não quer, o outro não briga

Por Leandro Lopes

"A zoeira é tanta que poucos entendem o que ele diz, começam a chover tomates, bolas de papel, ovos, copos de plástico, bananas, Gil entre no palco, fica sorrindo e abraçando Caetano, que prossegue, parecendo fora de si: 'Vocês estão por fora! Vocês não dão para entender...", este relato, contado pelo historiador Zuza Homem de Mello no livro A Era dos Festivais - uma Parábola, mostra a manifestação de um público participante dos festivais de música dos anos 1960. Mais precisamente no III FIC da TV Globo, em 1968.

Relato que inviabiliza qualquer comparação com o público que presencia, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, o Festival de Música da TV Cultura. É simplesmente desanimador. Uma platéia que tem tudo para ser protagonista, fica apenas no papel de figurante. Não se manifestam, não vaiam e só aplaudem por educação, coisa que eles têm de sobra. São sonolentamente educados.

Comportam-se como marionetes da insistência dos apresentadores e esboçam manifestações apenas quando solicitados. Estamos prestes a ouvir uma fala do tipo: 'cadê os aplausos?'. Como se estivéssemos assistindo Faustão. Espero não presenciar isto, espero que a produção da TV Cultura entenda que quando um não quer, o outro não briga.Subir

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Transmissão TV Cultura: Festival cada vez mais entrosado

Por Leandro Lopes

A transmissão da primeira semifinal do Festival da TV Cultura, realizada na última quarta, dia 31, confirmou o chavão de que o tempo é amigo da perfeição. Não que os bastidores do programa já mereçam calorosos elogios, longe disto ainda, mas que é perceptível uma melhora na coordenação de imagens, isso é. Muito embora, os cortes, os movimentos e enquadramentos das câmeras nunca tenha sido alvo de críticas, eles pecavam mais do que erraram no último encontro da 'nova música do Brasil'.

Atuaram com uma movimentação aleatória entre instrumentos, intérpretes e platéia. Isto deu uma naturalidade positiva. Às vezes, eles focavam em mãos e instrumentos parados, mas coisas de segundos que não comprometiam a qualidade da transmissão. Vale ressaltar o excelente enquadramento natural que o cameraman da Sabrina Parlatore dava durante os bate-papos com os músicos e intérpretes.

A produção padronizou a imagem de abertura dos blocos, sempre com o foco bastante aberto, expondo o palco e público em um mesmo enquadramento. Porém, durante as apresentações dos músicos estas mesmas câmeras eram usadas raramente e era mais raro ainda não serem atrapalhadas pelo público ou pela própria produção. Na transmissão passada, duas vezes uma pessoa de prancheta na mão passou em frente a uma delas.

Uma última observação seria a falta de interação entre câmera e público, pouco vezes, apareceram imagens da platéia enquanto os músicos se apresentavam. Será que faltou a produção harmonizar ou o público não atraiu as câmeras? Vamos dar tempo ao tempo e a gente responde isto durante a próxima transmissão. Subir

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Torcidas avivam Festival Cultura na primeira semifinal

Por Elisa Andrade Buzzo

Narizes e babadores de palhaço correndo rapidamente de mão em mão. Cartazes com um grande "Ai" vermelho impresso, como que manchado de sangue, distribuídos a quem na platéia tivesse vontade de pegar. Outros torcedores buscavam o melhor posicionamento possível para suas faixas minutos antes de começar a primeira semifinal do Festival Cultura, no teatro do Sesc Pinheiros, em São Paulo.

Um casal sentado na fileira F iniciava uma rápida transformação vestindo no pescoço babadores de tule colorido. Wilsiana Gondim de Castro e seu marido se preparavam para assistir a performance no palco de seu filho, Flávio Gondim de Castro, na música "Pra Onde Vamos Nós?". Ela mostrava o filho no palco, com nariz de palhaço, peruca e babador verdes. "Ele trabalha com mixagem".

Wilsiana já acompanhou muitos festivais de música nas décadas de 1960 e 70, seja pela televisão ou ao vivo, como o Festival Internacional da Canção. "Acompanhei toda a trajetória de Chico Buarque, Milton Nascimento..." A lista é grande. Ela comenta que um diferencial dos antigos festivais era a presença em massa de estudantes. "Eram festivais maravilhosos. O pessoal vibrava, pulsava, chegava ao delírio." E hoje, apesar do filho estar no palco, ela diz não torcer apenas por ele, "mas por todos". "Estou torcendo porque a música é muito boa, é uma letra muito bem feita." Efusivamente, ela bate palmas e suspende o cartaz na hora do refrão "Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai", na apresentação de Thomas Roth, Mamma Monstro e Orbital, segunda música da noite. A indignação expressa na melodia sobre violência e impotência do homem diante do mundo levanta a platéia do teatro.

"Era pra ser só mais um samba a dois/ Um samba a sós/ À meia luz" cantarolava na platéia Sandra, ao mesmo tempo em que, no palco, Paula Santoro interpretava a música. "Eu gosto muito de samba", falava Sandra Regina Ignácio. "Disseram que era bossa, o que não é o caso, a música é samba mesmo".

Muita gente que ficou na torcida por uma música, como Sandra, ou mesmo aqueles que vieram em massa, com alvoroço de cartazes, acabou descontente com o resultado do júri. As músicas selecionadas para a final foram: "Um Sonhador", de Toninho Horta, "Contabilidade", de Danilo Moraes, "A moça na Janela", de Zé Renato, "Lama", de Douglas Germano, "Startrek de Tacape", de Chico Saraiva e "Achou!", de Dante Ozzetti.

"Sai da Cruz", por exemplo, contava com uma grande torcida no balcão do teatro. Houve até chuva de balões verdes e amarelos ao final da apresentação da música.

Uma das torcidas mais atuantes da noite urrava no balcão, parte superior do teatro, "A-chou, a-chou!". A leve canção de amor "Achou!" de Dante Ozzetti e Luiz Tatit, foi uma das músicas que mais empolgou a platéia. Muitas pessoas cantavam os versos, "Quem estiver atrás de um grande amor/ Achou!" levantando-se da cadeira, e alçando os braços ao ar. Ceumar, intérprete da música, segurou a onda, rodopiando sua saia bordada.

Ao ser anunciada pela apresentadora Cuca Lazzarotto como finalista, "Um Sonhador", de Toninho Horta, recebeu vaias. "Contabilidade" foi um misto de aplausos e vaia, enquanto "Startrek de Tacape", "Lama" e "Achou!" foram muito aplaudidas.

Depois do show de encerramento com Paulinho da Viola houve, literalmente, uma divisão de torcidas na platéia do teatro, enquanto o público já estava indo para casa. O lado direito da platéia gritava "É 'Achou!'", enquanto o lado esquerdo respondia "É 'Lama'!". A cena vista no Sesc Pinheiros até lembrou a torcida dividida entre "A Banda" de Chico Buarque e "Disparada" com Jair Rodrigues, no II Festival da TV Record, em 1966.Subir

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Formato do Festival Cultura fica aquém do esperado

Por Gleice Meire

A TV Cultura prometeu fazer uma revolução nos moldes dos festivais dos anos 60, que marcaram a música brasileira. Engano. O formato do Festival da Cultura não trouxe nada de novo. A apresentação do Festival foi de Cuca Lazarotto, entrevistas de Sabrina Parlatore e Rodrigo Rodrigues e comentários de Wandi Doratiotto e Magda Pucci.

Cuca, apesar da simpatia, não ficou à vontade na telinha, o enquadramento da câmera a deixava sem liberdade e afastada do público. Além disso, sempre que anunciava um candidato, saia do enquadramento de câmera e virava para a direita, como se nesse momento ela não falasse mais com o telespectador, foi um erro grosseiro.

Sabrina Parlatore, com seu talento e experiência na área musical até que tentou fazer bem feito. Mas, a câmera privilegiava mais o visual da entrevistadora do que os artistas. Até a quarta eliminatória ela repetia, insistentemente, o clichê "maravilha" ao final das entrevistas. Corrigiram a tempo, na primeira semifinal ela não chegou a dizer a palavra uma vez sequer.

O casal de comentaristas Wandi Doratiotto e Magda Pucci começou mal, um atropelava o outro na fala, disputavam espaço na telinha. Melhoraram no decorrer do Festival, dividiram as falas, o tempo e a disputada câmera. A idéia desse quadro de comentário foi interessante, teria sido melhor, se eles não ficassem tentando convencer sobre a "novidade" da música. A canção tem que convencer por si só. Se a Sabrina entrevistasse os artistas antes da apresentação, seria melhor, assim eles mesmo defenderiam suas músicas.

O Rodrigo Rodrigues, francamente, foi a decepção do "formato revolucionário" prometido pela organização. Além de não ser novo colocar um repórter no palco, ele fez papel de bobo, não é o tipo de quadro que se espera da TV Cultura, que sempre primou pela sobriedade e qualidade, sem apelação. Cada entrada dele era uma tortura para ele, que ficava reclamando e perguntando para o diretor se já podia chamar o intervalo, certamente ele ainda não aprendeu a lidar com o ponto (aparelho de ouvido para comunicação com a produção), e para o telespectador, que era obrigado a agüentar Rodrigo tentando ser engraçado.

No geral, esse formato é campo comum para as outras emissoras, a Globo usa esse molde em quase todos os eventos, e com mais dinamismo. Para uma emissora como a TV cultura esperava-se mais qualidade, não digo técnica, mas, criativa. Não conseguiram o dinamismo desejado. Ao final, ficou repetitivo e cansativo a obrigação de passar todas as vezes pela Sabrina, pelos comentaristas e algumas vezes pelo Rodrigo. A reação da platéia, durante as apresentações das músicas, só mereceu mais destaque na fase semifinal. Durante as eliminatórias o telespectador não teve noção dessas reações.Subir

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Personagem da platéia - a opinião do público no festival

Por Elisa Andrade Buzzo

Ela foi a "vítima" do repórter Rodrigo Rodrigues por duas vezes. Ela se empolgou no memorável show de encerramento com Paulinho da Viola na primeira semifinal. Sobre rodas, Leandra Migotto Certeza, jornalista e consultora em inclusão social de 28 anos, dá seus primeiros passos no Festival Cultura.

Rumos - Quais foram suas músicas preferidas?

Leandra - Grande parte das músicas eu gostei muito porque me tocou a alma. Não estive acompanhando pessoalmente todas as eliminatórias, mas assisti tudo pela TV. A qualidade das melodias, e principalmente, das letras é ótima! Temos muitos talentos musicais que precisam de espaço para mostrar ao público suas idéias. É muito difícil escolher algumas músicas que mais gostei, porque os estilos são totalmente diferentes, além do que existem aquelas que se destacam mais pela letra e outras pela melodia, sem contar as belíssimas interpretações dos cantores. Além disso, eu também sou bastante eclética. Mas algumas me tocaram mais no momento, como: "Contabilidade" de Danilo Moraes e Ricardo Teperman; "Barco Negreiro" de Val Milhomem e Joãozinho Gomes; "Achou!" de Dante Ozzetti e Luiz Tatit; "Startrek de Tacape" de Chico Saraiva; "Arranca e Dá no Pé" de Sérgio Santos; "Maracatu, Samba e Baião" de Ito Moreno; "Lama" de Douglas Germano, "Sai da Cruz" de Élio Camalle; "Hotel Maravilhoso" de Flávio Henrique e Chico Amaral; "Pra Onde Vamos Nós?" de Thomas Roth; e "Sem Lugar" de Carlos Meneses Júnior e Juliana Penna, entre outros.

Rumos - Você que esteve presente aqui no Sesc na primeira eliminatória e agora na primeira semifinal. Já sentiu alguma diferença no clima do festival?

Leandra - Nossa, a diferença é enorme! Na primeira eliminatória a platéia era um terço do que nessa primeira semifinal, e estava totalmente apática, hoje as torcidas são animadíssimas! Além disso, a equipe da TV Cultura também não tinha achado o tom das apresentações e comentários. Agora está redondinho. Parabéns a todos! Espero que até a grande final a platéia esquente ainda mais!

Rumos - Na sua opinião, quais são as características de uma música vencedora de festival? O que o público teria que ouvir para sentir "é essa a música"?

Leandra - O Brasil é um dos países mais "misturados" do planeta. Ouvem de tudo e produzem sons completamente diferentes e com muita qualidade. Para falar a verdade acho que os festivais não devem ser competitivos desta forma, pois não há critérios para julgar uma música que tem um estilo totalmente diferente da outra. É claro há que qualidades básicas para ser classificada ela tem que ter, mas como dizer se um samba é melhor do que um rock? É um critério totalmente subjetivo! Mas para dar um palpite, acho que grande parte do público vai preferir nesse momento escolher um samba como vencedor do festival, porque representa mais a cara do Brasil.

Rumos - Acha importante a iniciativa da TV Cultura de reviver os grandes festivais?

Leandra - É fundamental. Já estava mais do que na hora de voltarmos aos grandes festivais que tantos talentos trouxeram ao país. Fico torcendo para que o Governo Federal junto com a inciativa privada e toda a sociedade realmente invista pesado na cultura de seu povo. Música alimenta a alma. Que venham muitos festivais sempre, que outras emissoras de TV invistam em qualidade e produção de eventos tão importantes como esse para a música do Brasil. A TV Cultura, como sempre, está de parabéns pela belíssima cobertura. A qualidade técnica e humana está impecável. Torço para que eles continuem com a bola toda e preparem o próximo festival. Eu vou estar novamente assistindo na primeira fila! Só tenho algumas sugestões: fazer o festival em um local maior, mais popular e de fácil acesso, diminuir o valor do ingresso, e principalmente mudar o horário das transmissões para 20hs às 23hs, assim mais pessoas poderão assistir e conseguir condução para voltar para casa, além de acordar no dia seguinte para trabalhar. É preciso tirar da elite brasileira o privilégio de participar do festival.Subir

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A Nova Música Brasileira Pediu Licença do Festival da Cultura

Por Gleice Meire

As músicas selecionadas nessa primeira semifinal do Festival da Cultura são de boa qualidade, mas nem de longe representam o quem tem de novo na música nacional. A opção do júri, determinantemente, não foi por canções inovadoras e provocativas. O júri primou pela qualidade, e não pela novidade, por artistas de renome e não por jovens iniciantes. Esse quadro, provavelmente, se repetirá na próxima semifinal, a começar pela falta de opção, e, mesmo porque, não houve nas eliminatórias canções que harmonizassem provocação, inovação e qualidade.

As classificadas para a final não despertam entusiasmo nem na crítica especializada e nem no público. As escolhidas foram o samba "Lama", de Douglas Germano, "Contabilidade", de Ricardo Teperman e Danilo Moraes, "A Moça na Janela", de Zé Renato e Lula Queiroga, "Startrek de Tacape", de Chico Saraiva, "Achou!", de Dante Ozzetti em parceria com Luiz Tatit e "Um Sonhador", de Toninho Horta.

"Contabilidade" terá problemas com a crítica se ganhar prêmio nesse festival, porque Danilo Moraes é filho de Wandi Doratiotto, comentarista do Festival, portanto é parente de funcionário ligado diretamente ao Festival. Não é ético, mesmo que Danilo tenha talento.

As canções com letras mais provocadoras como "Sai da cruz Jesus", de Élio Camalle, e "Pra onde vamos nós?", de Thomas Roth não convenceram o júri. As belas interpretações de Luzia Dvorek em "Toada", de Marina Machado em "Hotel Maravilhoso" e Paula Santoro em "Um Samba a Dois" também não. A opção foi por letras mais elaboradas e arranjos mais harmônicos com a melodia. Mas, nada de novo.Subir

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O saldo positivo do Festival

Compositores e intérpretes vão além da competição e aproveitam pra trocar experiências
na 1ª semifinal do Festival Cultura - A nova música do Brasil

Por Ludmila Ribeiro

Em fase semifinal, o Festival Cultura - A nova música do Brasil começa a definir os seus favoritos, com as expectativas que todo encontro gera, seja ele por competição ou não. Bastidores e platéia movimentados lotaram o SESC Pinheiros, em São Paulo, na última quarta-feira, dia 31 de agosto, quando aconteceu a 1ª semifinal do supracitado Festival.

Nessa noite decisiva os músicos e intérpretes estavam afinados. Doze selecionados disputavam uma das seis vagas para a final, e todos bem preparados realizaram uma mostra de alto nível. Paula Santoro arrasou na interpretação de "Um samba a Dois" e, assim como Luzia Dvorek, com a bela canção "Toada", estava no time das grandes intérpretes. Além dos favoritos Adriana Moreira, de "Lama" e Marcelo Pretto com "Startrek de Tacape", acrescente-se aí também a mineira Marina Machado, que cantou com segurança "Hotel Maravilhoso" e comparou este desafio a uma prova de natação, 50m nado livre: "É a principal prova do campeonato de natação e só gente fera que nada. Não dá pra errar uma braçada, uma respiração, tudo tem que ser muito perfeito. O festival é bem assim". A razão de sua presença ali era a competição, "eu fico muito nervosa, eu acho que música é difícil, não cabe muito à competição e a gente está aqui pra competir", completa. Mas além disso, a noite era de encontro entre músicos, artistas, conhecidos ou não.

Depois de apresentar a música "Contabilidade", a dupla Danilo Moraes e Ricardo Teperman (este um dos poucos artistas da nova geração no festival) caiu na festa. Ambos transitavam descontraídos pela platéia e corredores, onde Ricardo Teperman, ou Teté como é chamado pelo parceiro, cantarolava de memória a música "Hotel Maravilhoso", pouco depois da apresentação de Marina Machado, Flávio Henrique e Chico Amaral. As trocas estão sendo uma constante entre os diversos músicos que participam do festival. Animado e confiante, Ricardo Teperman comentou que no festival "promessa de parceria já pintou, agora só falta vingar", mas preferiu não dizer nomes, com receio de não funcionar e "ficar frustrado". Mais adiante Marina Machado entregou: "Eu gostei muito da música 'Contabilidade'. Inclusive eu pedi, e eles vão me mandar uma música. Eu vou gravar um novo disco esse ano e gostei muito da onda deles".

Encontros assim são inevitáveis e o festival ganha mais essa função de incentivar, mesmo que indiretamente, novas parcerias, novas composições, novos ares para da música brasileira. "Eu acho bacana o festival, e tudo que se faz para movimentar a música e principalmente para divulgar mais o trabalho de intérpretes, compositores e músicos", comentou a cantora paulista Ná Ozzetti, que estava satisfeita com a classificação da música "Achou!", de seu irmão Dante Ozzetti, que foi a mais aplaudida da noite. A própria Ná destacou músicas como "Hotel Maravilhoso", "Toada" e "Lama", principalmente suas intépretes. "Já conhecia a Marina Machado, sou super fã dela e ela foi magnífica hoje. Gostei muito da Luzia Dvorek, que é uma super nova geração, e achei maravilhosa a Adriana Moreira, que cantou o samba", completou.

Destas músicas, apenas "Achou!", de Dante Ozzetti e "Lama", de Douglas Germano estarão na final do Festival Cultura, a se realizar no dia 14 de setembro, juntamente com as outras selecionadas "Um Sonhador", de Toninho Horta, "Contabilidade", de Danilo Moraes, "A moça na Janela", de Zé Renato, e "Startrek de Tacape", de Chico Saraiva, na firme voz de Marcelo Pretto.

Antenas Ligadas

A 2ª semifinal acontece na próxima quarta, dia 7 de setembro, com apresentação dos 12 últimos candidatos. Dentre estes estão Max Gonzaga e Celso Viáfora, que marcaram presença na platéia da 1ª semifinal assistindo ao vivo a performance dos outros candidatos. "Estou acompanhando todas as eliminatórias e as semifinais também. A gente vai sentindo nos bastidores a evolução das interpretações e da própria execução das músicas", comentou Max Gonzaga que vai defender "Classe Média", na próxima quarta-feira. Assistir às outras apresentações não implica em mudanças na sua apresentação kminente, mas parece intimidar. "A gente vai continuar com a mesma toada e fazer o possível pra entrar. Vai ser meio complicado porque a noite está bem competitiva, mas vamos lá", diz.

Celso Viáfora estava empolgado, festejando o encontro de sua banda composta pelos Meninos de Manari, grupo de percussão amazônica, de Belém de Pará e pelo Quinteto em Branco e Preto. Feliz com os encontros e perspectivas de "abrir outras amizades para o futuro", e satisfeito por ver música inédita na TV brasileira, como ele mesmo diz: "Tem tido muito resgate de obras de compositores e de repente a TV Cultura resgata obras inéditas e principalmente música ao vivo, é muito bom". Bom também como uma oportunidade referencial para a nova geração, como ele completa: "Se você pensar, essa nova geração é completamente desacostumada com espetáculo ao vivo, como a geração MTV, por exemplo, que assiste a shows editados".

Ressalvas

Como era de se esperar, a apresentação do veterano Toninho Horta (primeiro concorrente da noite) foi impecável. Tadeu Franco, bem mais seguro, conduziu bem a bela letra de João Samuel, acompanhado por uma banda completa, digna de festival. Além do piano, contrabaixo, sopros, percussão e cordas, a banda de Toninho Horta teve ainda o músico Keko Brandão, que fez arranjos de cordas no teclado, reforçando o que as cordas de verdade estavam fazendo.

Keko era um dos músicos que transitava pela platéia, comemorando este momento do festival, mas também com as suas ressalvas: "Eu acho que o Festival tem uma diversidade muito grande de estilos, o que é muito bacana. Tenho só um pouquinho de dúvida quando eles usam o adjetivo a nova música do Brasil, porque eu inclusive estou acompanhando um figurão da música, Toninho Horta já faz parte da história da música brasileira, como muitos outros concorrentes também fazem". Para ele a ausência de novidades pesou. "Só faço essa crítica à comissão julgadora: tem muita gente que já está há muito tempo na estrada, inclusive eu. Realmente faltou mostrar coisa mais nova mesmo", afirma.

Torcidas

Se nas eliminatórias anteriores torcidas organizadas, como a de Douglas Germano ou Élio Camalle, já se faziam ouvir, nesta semifinal surgiram outras. Dante Ozzetti teve platéia uniformizada e afinada e Thomas Roth manifestou seus dotes publicitários, equipando sua torcida com cartazes com o escrito "Ai!", nariz de palhaço e outros adereços distribuídos aleatoriamente, numa tentativa de envolver a platéia no seu circo. Era noite dos "jingles" "Pra onde vamos nós", de Roth e de "Sai da Cruz", de Camalle, que sustentaram suas torcidas, mas ficaram de fora da final, elevando assim o nível de composições na disputa do dia 14 de setembro.

Produção

Deixou a desejar, mas o Festival Cultura também teve seus acertos. A produção era caprichada, em instantes a sombra ágil dos roadies trocava os instrumentos e preparava um novo palco, para novos artistas que se revezavam em estilos, mas todos encontraram uma infra-estrutura impecável, um alto e bom som. Talvez por ser estritamente voltada à televisão a produção era experiente, mas a platéia as vezes parecia cenário, com os apresentadores e comentaristas mais preocupados em falar para as câmeras do que para o público presente.Subir

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