A mistura da nova música brasileira
Mistura e variedade marcam 1ª eliminatória do Festival Cultura
A mistura da nova música brasileira
Festival da Tv Cultura traz a diversidade cultural na 1ª eliminatória
Por Karine Serezuella
Começaram nesta quarta-feira, dia 4 de agosto
de 2005, às dez da noite, as eliminatórias do Festival Cultura -
A Nova Música do Brasil. A apresentadora Cuca Lazzarotto, durante pouco
mais de duas horas de festival, chamou ao palco os intérpretes das 12 canções
classificadas. Nesta primeira etapa, serão apresentadas as 48 músicas
selecionadas entre os 5.198 inscritos.
Transmitido ao vivo pela TV Cultura
e pela Rádio Cultura AM (1200 KHw), o festival, idealizado por Solano Ribeiro,
contará com mais três eliminatórias (10, 17 e 24/8), uma semifinal
(7/9) e a final no dia 14 de setembro.
Na primeira eliminatória,
o público no Teatro do Sesc Pinheiros em São Paulo presenciou um
evento bem organizado. Se a idéia do festival é mostrar a nova música
do Brasil, ao final do primeiro programa, a forte diversidade musical e cultural
na maioria das canções fez delinear inicialmente esta nova cara.
Combinavam-se ritmos como na canção bem aplaudida "Macaratu,
Samba e Baião", de Ito Moreno, e "Samba Russo", de Paulo
Afonso de Carvalho, um rock com samba ritma do pelo pandeiro e pela cuíca.
Ou então se falava da diversidade cultural como fez Flavio Marchesin e
Eduardo Tibiriçá no pop-rock "Misturada", interpretado
pela banda Megarex.
O ritmo marcou as canções, mas as
palavras também se destacavam. "Choro Alegre", de João
Cristal, criticou a dificuldade do artista musical de se infiltrar na mídia.
"A Moda", música de Agnaldo Almeida com letra divertida e boa
interpretação de Banda Confraria da Bazófia, de Salvador,
apresentou uma crítica à moda e à padronização
de costumes.
Não faltou o romantismo e emoção bem
representados pelas canções "Que Bom Seria", de Márcio
Proença, e "Sem Lugar", de Carlos Menezes Jr. Músicas
que associaram a sensibilidade dos autores à boa interpretação,
principalmente de Lucia Helena, que transmitiu a melancolia e tristeza das palavras
de Proença. Teve também o samba mineiro à la João
Bosco, "Arranca e Dá no Pé", de Sérgio Santos.
E a bossa aliada à tecnologia - uso de um sampler para mixagem - na música
"Bossanet", do compositor e produtor multimídia Sergio Augusto.
Após
cada apresentação, Sabrina Parlatore, bem à vontade, entrevistava
os concorrentes. Comentários mais informativos do que opinativos eram feitos
por Wandi Doratiotto e Magda Pucci, além das tentativas de entreter com
a platéia do repórter Rodrigo Rodrigues - algumas bem sucedidas,
outras não.
Enquanto o júri, composto de nove nomes, entre
eles Wilson Sukorski, Mauro Dias e Dante Pignatari, escolhia as seis canções
que foram para a semifinal, o público conferia o show de Leila Pinheiro
com músicas reveladas nos festivais dos anos 60 e 70.
Além
de "Choro Alegre", "Maracatu, Samba e Baião" e "Que
Bom Seria", se classificou a música "Um Sonhador", do veterano
Toninho Horta e interpretada por João Samuel, bastante nervoso. Também
foram para semifinal "Guri de Acampamento", de Luis Carlos Borges, e
"Barco Negreiro" de Val Milhomem. Canções que enfatizam
o regionalismo: ritmo sertanejo gaúcho e os tambores de Macapá com
a influência afro da região.
Para aqueles que não
viram ou ouviram as canções classificadas, a TV Cultura disponibiliza
as músicas no site da emissora (www.tvcultura.com.br/festivalcultura).
A 2º eliminatória é na próxima quarta-feira, dia 10
de agosto.![]()
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Por Augusto Paim
Quem lembrar dos grandes festivais das décadas de 60 e 70, com os músicos lutando contra a censura da ditadura para ter suas canções apresentadas diante de públicos que vaiavam ou aplaudiam com o mesmo fervor, certamente se perguntará: o que o Festival Cultura, organizado pela TV Cultura de São Paulo, tem em comum com eles? A resposta pode ser frustrante.
O público que foi ao Sesc Pinheiros em São Paulo, na última quarta-feira, não vaiou nem jogou nenhum objeto no palco. Na verdade, todas as músicas (que no máximo protestavam contra os modismos) acabaram sendo aplaudidas.
Foram apresentadas doze canções, que exploraram a mistura de ritmos, como em "Maracatu, Samba e Baião", de Ito Moreno. A metalinguagem, o amor e as condições do acesso dos artistas ao mercado cultural foram alguns temas cantados. Também houve regionalismos, como na canção "Guri de Acampamento", do gaúcho Luiz Carlos Borges, uma das selecionadas.
A primeira eliminatória
do Festival Cultura, transmitido pelo TV Cultura, contou ao fim com um show de
Leila Pinheiro. Haverá mais três eliminatórias, nas próximas
quartas-feiras. As semifinais ocorrerão nos dias 31 de agosto e 7 de setembro.
A grande final acontece em 14 de setembro. ![]()
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Mistura
e variedade marcam 1ª eliminatória do Festival Cultura
Saudosismo + tradição + rock + linguagem MTV: no ar, a versão 2005 dos grandes festivais
Por Elisa Andrade Buzzo e Júlia Tavares
A canção "Misturada", do paulista Flávio Marchesin, não poderia ter sido melhor para abrir o Festival Cultura na noite da primeira eliminatória, dia 3 de agosto. A mescla de ritmos, estilos, temas e influências dos compositores e intérpretes foi a marca do show no teatro do Sesc Pinheiros, que apresentou 12 músicas e selecionou 6 delas para as semifinais: "Choro Alegre" (João Cristal), "Maracatu, Samba e Baião" (Ito Moreno), "Guri de Acampamento" (Luiz Carlos Borges), "Que bom seria!" (Márcio Proença), "Um Sonhador" (Toninho Horta e letra de João Samuel) e "Barco Negreiro" (Val Milhomem e letra de João Batista).
A escolha do júri - composto por Carlos Calado, Hugo Suckman, Pedro Alexandre Sanches, Ricardo Alexandre e pelos músicos Eduardo Gudin, Joyce, Théo de Barros, Rudá Duprat e Hermelino Neder - pareceu agradar o público, ainda que não tenha se manifestado muito entusiastamente. A exceção foi "Maracatu, Samba e Baião", que aumentou o volume das palmas e teve até torcida com direito a uma faixa na platéia.
Algumas surpresas ficaram por conta de duas músicas que não foram classificadas: "Bossanet" (Sérgio Augusto), com o refrão "Misturo pandeiro e disquete/ Tudo virtual/ Que isto é bossanet/ Isto é muito natural", apresentada com mixagem eletrônica ao vivo de DJ e coral de sete integrantes, e o heavy metal de "Samba Russo" (Paulo Carvalho), com uma interpretação de peso da banda Coelho de Alice.
Nova música?
O resultado da escolha do júri revela que o tradicional da cultura regionalista brasileira tem seu lugar garantido. Quem prova é o veterano gaúcho Luiz Carlos Borges, selecionado com "Guri de Acampamento". Borges foi acompanhado no vocal por Daniel Torres, da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai: os dois não dispensaram as bombachas, nem os chapéus.
O espaço do romantismo e do intimismo na canção também segue para as semifinais com "Que Bom Seria!", de Márcio Proença, e interpretada pela cativante Lúcia Helena.
Leila Pinheiro coroou o tom saudosista do Festival, assumido nas peças publicitárias, no sitio da internet e nos programas da TV Cultura, cantando "A Banda", "Saveiros", "Arrastão" e "Verde". Todas elas ficaram consagradas com os festivais das décadas de 1960 e 1970 e marcaram definitivamente a história da canção brasileira.
Do outro lado da tela...
Nos bastidores, era possível conferir a mega-estrutura para a gravação ao vivo do show. A transmissão foi feita do caminhão na rua Paes Leme, em frente à entrada do Sesc Pinheiros, de onde saíam quilos de fios devidamente protegidos até o palco do teatro.
Perto das 22h, a equipe de produção já não disfarçava a adrenalina da grande estréia. Técnicos de câmera e som, produtores, diretores e o próprio Solano Ribeiro, diretor geral, faziam os últimos acertos, brincavam no microfone, testavam os pontos eletrônicos.
O primeiro contato com o público aconteceu poucos minutos antes da entrada do programa no ar: a apresentadora Cuca Lazarotto pediu que a platéia se aproximasse para as cadeiras vazias mais à frente do palco. Uma onda humana, julgando-se com sorte, correu para poltronas mais privilegiadas. Cuca voltou a "conversar", pedindo um teste de som com as palmas e lembrou: "quando vocês gostarem de alguma música, fiquem à vontade para aplaudir mais, façam barulho!".
Dali para frente, a atenção
com o público virou tarefa de Rodrigo Rodrigues, que gravou espontâneas
enquetes com a platéia, contrastando com as observações não
tanto profissionais dos "comentadores" Wandi Doratiotto e Magda Pucci.
Já a recepção de Sabrina Parlatore aos artistas, logo na
coxia do palco, dava graça e leveza ao Festival Cultura, além de
identificação com a geração MTV.
Impressões Expressas - As preferidas do público
"Maracatu, Samba e Baião" teve energia, foi "a mais animada" para José Serafim Martinho, tecnólogo de 41 anos que lembra com saudades da Era dos Festivais promovidos pela TV brasileira nas décadas de 60 e 70. "Eu era uma criança, mas os antigos festivais me marcaram muito. Lamento a longa ausência de festivais".
Os olhares - e ouvidos - atentos do músico Paulo Sérgio Chaves, de 36 anos, destacaram no show da quarta-feira a romântica canção "Que bom seria!", marcada pelo tom intimista e suave da interpretação de Lúcia Helena. Mas "pela idéia de misturar bossa nova com a vanguarda da tecnologia", Carvalho destacou "Bossanet".
A escolha da vendedora Rita de Cássia, 30 anos, mostra que os critérios técnicos das músicas nem sempre são aqueles que mais contam. "Eu escolheria 'Sonhador' pelo momento que estou passando na minha vida, me identifico com ela, que fala de fé e de sonhos."
Ao fim do show, Thiago Biagini, de 14 anos, que burlou a segurança do palco para ganhar uma foto ao lado de Sabrina Parlatore, estava decepcionado com a desclassificação de "Samba Russo". Não à toa: o garoto de cabelos compridos faz parte de uma banda de metal. Estava acompanhado do pai Nilton, também músico e fã do rock pesado: "'Samba Russo' merecia estar entre as seis finalistas".
"O som do Toninho Horta é maravilhoso",
comentou Paulo Sérgio Natali, 55 anos e exportador, mais uma vez sobre
a canção "O Sonhador". "'Bossanet' é uma idéia
bacana", completou. ![]()
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Festival Cultura - A nova música
do Brasil estréia na programação da TV Cultura
resgatando
o modelo de festival que fez história na televisão brasileira
Por Ludmila Ribeiro
As fotos que ilustram o site da TV Cultura; o mesmo produtor responsável pelo evento, Solano Ribeiro; o formato das eliminatórias e da premiação, e outros aspectos denunciam: o Festival Cultura - A nova música do Brasil é mais uma tentativa de se resgatar a época de ouro dos festivais de música. As referências a esse período são tão explícitas que fica inevitável a comparação do evento da TV Cultura com os grandes festivais que fizeram história na televisão. Ainda presentes no imaginário brasileiro os inúmeros programas realizados nas décadas de 60 e 70 marcaram o país ao lançar toda uma geração de grandes músicos e intérpretes como Chico Buarque, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Elis Regina ou movimentos e bandas como a Tropicália, Jovem Guarda e os Mutantes, dentre outros. Os tempos mudaram, mas o formato se repete, e é preciso reparar bem e esperar para descobrir indícios inovadores nos músicos participantes do festival de 2005.
Dentre 5.198 inscritos, 48 artistas foram escolhidos para participar de quatro eliminatórias que vão selecionar seis composições, repetindo esse processo até chegar ao vencedor final. A primeira etapa, realizada na última quarta-feira, dia 3 de agosto, no SESC Pinheiros, em São Paulo, foi marcada pela diversidade de regiões, estilos e misturas já apontadas em títulos como "Misturada", de Flávio Marchesin, e "Guri de Acampamento", de Luiz Carlos Borges, uma das músicas selecionadas da noite . As fusões se anunciavam em "Bossanet", de Val Milhomem ou em "Samba Russo", movimentada junção de cuíca e guitarra na música de Paulo de Carvalho. Outras foram marcadas por ritmos mais percussivos, populares ou regionais como as músicas "Maracatu, Samba e Baião", de Ito Moreno, que teve até torcida organizada e entrou para a semifinal juntamente com "Barco Negreiro", de Sérgio Augusto.
Apesar de não estar entre as escolhidas, "Samba Russo" se destacou por ser o único rock'n'roll da noite e pela fórmula - não inédita, porém interessante - de ter a base com pesadas guitarras e baixos aliada à típica percussão do samba. Conseguiu entusiasmar a platéia, mas não o júri. Em outra direção, "Bossanet" apresentou uma proposta interessante de fundir grupos vocais, programação eletrônica e citações da música "Desafinado", de Tom Jobim e Newton Mendonça, numa roupagem bem contemporânea. O resultado, porém, não foi tão bom quanto a proposta e não entrou na lista. Outras que não se classificaram foram "Sem Lugar", de Carlos Menezes Júnior e a cômica "A Moda", de Arnaldo Almeida, com uma letra, melhor que a música, engajada numa crítica ao mundo do consumo.
Sem grandes inovações, a maioria dos selecionados mostrou muita qualidade, uns mais e outros menos, com músicas que seguem a linha tradicional da MPB, também muito presente na tal era dos festivais. Os selecionados João Cristal, com seu movimentado "Choro Alegre", o reconhecido músico mineiro Toninho Horta com "O Sonhador" e Márcio Proença com "Que Bom Seria" têm em comum o feliz resultado alcançado pela presença de instrumentistas executando arranjos bem elaborados, com letras de mesmo nível, na voz de bons intérpretes. O expoente maior da noite foi a cantora Lúcia Helena, que é sem dúvida a primeira grande revelação deste festival. Em alguns destes aspectos, vale acrescentar também Sérgio Santos, que não emplacou o samba "Arranca e Dá no Pé", mas estava muito bem acompanhado pela banda.
Sem mostrar jovens músicos ou compositores, mas sim tendo
alguns nomes até familiares da mídia, o Festival Cultura - A Nova
Música do Brasil começou ainda dependente da histórica referência
dos festivais. Parece desconhecer a cena contemporânea em que a jovem música
independente se fortalece cada vez mais, mas não está representada
neste evento, quase um novo marco na era dos festivais que ainda não se
encerrou.![]()
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