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FESTIVAL DA CULTURA (2005) - FINAL

Feijão com arroz

"Contabilidade" vence Festival da Cultura sob vaia ininterrupta

Vaias incontáveis

Feijão com arroz

Festival Cultura entra em etapa final com os 12 concorrentes definidos

Por Ludmila Ribeiro

Nesta altura do campeonato a falta de novidade entre os concorrentes não é mais novidade, o papo dos apresentadores continua o mesmo e o programa ganhou rotina. Acentuou toda a previsibilidade de um Festival que se propôs a mostrar a nova música do Brasil e foi redundante, se pautou pela diversidade e resumiu esta ao regionalismo da viola caipira e sertaneja, na melodia poética da MPB e no pop que tá mais pra pular do que pra cantar. Apesar destes pontos fracos, o profissionalismo da produção do evento mais uma vez garantiu suporte para os músicos, protagonistas do festival, continuarem a festa, que se refinou com a escolha dos candidatos à final.

Refinou-se, mas poderia ter sido mais, não fosse a longa fila de boas músicas que ficaram de fora da lista do júri. A começar por "Samba Russo", "Contrapeso" e "Romance Pós-moderno", que não passaram das eliminatórias. A seqüência se completa com "Hotel Maravilhoso", "Choro Alegre" e "Que Bom Seria". Ouvidos atentos sabem o ponto em comum destas músicas: exatamente a novidade, o diferencial que faltou no geral do festival. Choro, rock, MPB (?), balada, músicas que nem cabe classificar. Parece ousadia demais para o júri levar para a televisão brasileira algo além do feijão com arroz. A oportunidade de ver na TV músicas inéditas, shows ao vivo, revelando ao brasileiro o que está fora da grande mídia, parece mais uma vez pouco aproveitada.

E com tantas previsibilidades já era de se esperar um equilíbrio estratégico de ganhadores de regiões variadas e da diversidade dos estilos musicais. Desta 2ª semifinal entraram no páreo os paulistas Celso Viáfora, com a música "Amanhã de Depois de Amanhã", Edu Franco com "Seresteiro em Perigo" e Marília Medalha, carioca de nascimento, mas radicada em São Paulo, com "Cassorotiba". Dentro do eixo, desta vez do Rio de Janeiro entrou Pedro Luís, com "Girando na Renda", e de Minas Gerais veio Renato Motha com seu "Haicai Baião". Pra fechar os classificados, acrescente-se o baiano Ito Moreno, com "Maracatu, Samba e Baião". Estes concorrem na próxima quarta, com a maioria paulista formada por Danilo Moraes ("Contabilidade"), Dante Ozzetti ("Achou!"), Douglas Germano ("Lama") e Chico Saraiva ("Startrek de Tacape"), além do mineiro Toninho Horta ("Um Sonhador") e o capixaba Zé Renato ("A moça na Janela").

São estes os 12 selecionados para a grande final, que vão segurar o espetáculo da noite de 14 de setembro, quando acontece o encerramento do festival de música da TV Cultura. Para acompanhar o festival visite o site www.tvcultura.com.br/festivalcultura, mas se abstenha de entrar no link "Notícias" que parou no tempo e contenha a nostalgia das fotos tão antigas quanto o tempo em que a música brasileira soava no rádio, na TV, na imprensa nacional. Subir

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"Contabilidade" vence Festival da Cultura sob vaia ininterrupta

Por Júlia Tavares, Patrícia Guimarães e Tonica Moura Leite

"Tá registrada, vale! Vai pra cartório amanhã", declarou o ministro da Cultura, Gilberto Gil, ao tentar defender, inutilmente, a escolha do júri, e se deparar com a raivosa vaia que mobilizou quase toda a platéia do teatro do Sesc Pinheiros, em São Paulo, assim que "Contabilidade", de Danilo Moraes e Ricardo Teperman, foi anunciada como vencedora do Festival Cultura na noite de 14 de setembro. Ainda parodiando Augusto de Campos, Gil lembrou o "Viva a vaia", e não conseguiu continuar. Pediu silêncio, mas os gritos ecoaram por mais de 5 minutos, acompanhados de papéis jogados ao palco. A equipe de apresentadores e de produtores do Festival não escondeu sua desorientação, mas ainda assim a noite foi encerrada com a reapresentação dos garotos paulistanos.

"Minha voz deu uma engasgada legal ali, foi difícil cantar depois. Mas vambora, deixa fluir, agora é curtir", declarou Danilo Moraes na coxia. Dante Ozetti, considerado o favorito pelo público com "Achou" - cantarolada e sempre a mais aplaudida nas noites em que se apresentou no Sesc - reconheceu a vitória de "Contabilidade". "O prêmio deles é merecido, eles são muito bons e acho que o júri acabou prestigiando os jovens mesmo, porque afinal é a nova música", disse, conformado com o segundo lugar. O terceiro posto ficou com "Girando na Renda", interpretada por Pedro Luis e a Parede e Roberta Sá. O primeiro prêmio foi de R$ 50 mil em dinheiro, um especial a ser veiculado na TV Cultura, e a produção de um DVD e um CD que serão lançados no mercado. O segundo levou R$ 20 mil, e o terceiro, R$ 10 mil.

O Festival da Cultura - A Nova Música do Brasil teve sua primeira semifinal no dia 31 de agosto, e a segunda no dia 7 de setembro, classificando as 12 finalistas que se apresentaram na noite de ontem: o contagiante samba "Lama" de Douglas Germano; "Startreck de Tacape", de Chico Saraiva, com um ritmo pouco convencional e difícil de acompanhar porém premiando Marcelo como melhor intérprete; "Haicai Baião", um baião misturado às flautas doces, que apesar de bem aceito pelo público, recebeu menos palmas do que na semana anterior; "Amanhã de Depois de Amanhã", de Celso Viáfora, que cantou as expectativas do dia de amanhã; "Cassorotiba", valsa de Marília Medalha e Dulcinéia Pilla, que conquistou o júri, mesmo não tendo sido bem aceita pela platéia; a pulsante canção "Maracatu, Samba e Baião", de Ito Moreno; "Um Sonhador", de Toninho Horta e João Samuel, que desde o principio não empolgou muito a quem esteve presente no teatro; "Moça na Janela", de Zé Renato e Lula Queiroga, cuja letra, que pode ser considerada triste, é complementada por um arranjo que torna a música mais envolvente; "Seresteiro a Perigo", de Edu Franco, que tirou risos e aplausos da platéia com sua interpretação caricatural; "Achou", de Dante Ozetti e Luiz Tatit, que conquistou até as torcidas concorrentes; "Contabilidade", de Danilo Moraes e Ricardo Teperman, que apesar de ter sido aceita durante as etapas não foi mencionada como favorita ao prêmio; e "Girando na Renda", de Pedro Luis, Flávio Guimarães e Sérgio Paes, interpretada pela animada Roberta Sá.

Além das premiações para os primeiros colocados, o júri concedeu empate para o prêmio de melhor intérprete para Ana Luíza, que defendeu a canção "Cassorotiba", e Marcelo Pretto, por "Startrek de Tacape" . "Haicai Baião", de Renato Motha e Valter Braga, ganhou com a melhor letra, e "Contabilidade", levou o prêmio de melhor arranjo, de autoria de Swami Jr.

Uma noite, dois festivais

Faixas, pompons, apitos e matracas ensurdecedoras. Antes do anúncio da vencedora, o clima do Festival era outro. A noite de encerramento foi a edição mais disputada por parte do público, que mesmo com ingressos esgotados insistiu comparecendo na porta do teatro do Sesc Pinheiros. As torcidas organizadas, que apareceram timidamente nas primeiras eliminatórias, marcavam a festa da final. Convidados da noite, Max de Castro e Wilson Simoninha apresentaram um show dançante relembrando clássicos da Era dos Festivais, como "Fato Consumado" (Djavan) e "Zazueira" (Jorge Ben Jor).

O auge da emoção foi a presença de Jair Rodrigues ao palco, que interpretou a canção "Disparada" (Geraldo Vandré - Théo de Barros) de maneira fervorosa e saiu do protocolo ao aceitar os pedidos de bis cantando "Arrastão" (Edu Lobo - Vinicius de Moraes).

Além da perfeição técnica dos shows, o trabalho da produção da TV Cultura também incitou o clima de satisfação por parte do público. No segundo intervalo, o próprio ministro Gilberto Gil, lançado como cantor em festivais da década de 1960, garantiu satisfação em presenciar a versão 2005 preparada pela TV pública. "Esse é um festival culto, não porque ele está sendo feito pela Cultura, mas porque ele traz uma acumulação de muito tempo e toda uma trajetória de mudança de elementos variados que foram sendo incorporados à música brasileira".

Alguns blocos depois, o susto com o anúncio de "Contabilidade" como escolhida do júri provocou indignação, raiva, e... as já inesquecíveis vaias, com gritos de "Marmelada!", "Mensalão!" e protestos pelo fato de Danilo Moraes ser filho de Wandi Doratiotto, comentarista da TV Cultura. A turma de jurados teve nova configuração na final, conforme previsto no regulamento. Continuaram Hugo Suckman, Pedro Alexandre Sanches, Hermelino Neder, Eduardo Gudin e Lívio Tragtemberg e entraram Mauro Dias, Dante Pignatari, Jean Garfunkel, Carlos Rennó e Wilson Sukovski. "Os jurados em geral são incorruptíveis, é muito difícil burlar isso...marmelada não existe. Em época de Severino Cavalcanti, marmelada é um negócio que ninguém come mais", brincava o compositor Lula Queiroga, minutos antes do início da transmissão começar.

Inconformados, cerca de 50 fãs de "Achou" esperaram na porta de saída do teatro para aclamar Ceumar, intérprete da canção. Em volta dela, o grupo cantou na íntegra a letra com o refrão "Quem estiver atrás de um grande amor/ Achou!", consagrando Dante Ozetti e Luiz Tatit como os verdadeiros "campeões" da noite. Subir

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Vaias incontáveis

"Contabilidade" vence o Festival da TV Cultura, mas vaias impossibilitam comemoração

Resultado desagrada platéia no Sesc Pinheiro e nem o Ministro da Cultura conseguiu acalmar o público

Por Leandro Lopes

Surpreendente. Nenhuma palavra poderia definir melhor o que foi a final do Festival da TV Cultura - a nova música do Brasil, que aconteceu nesta última quarta, dia 14, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Ao contrário do que vimos durante as semifinais e eliminatórias, com uma platéia tímida e sonolentamente educada, a transmissão da final foi marcada por uma participação efetiva da torcida, que cantou, vibrou e vaiou.

Das 12 músicas que passaram por todas as peneiras do evento, três receberam aplausos calorosos durante a apresentação: "Seresteiro a perigo", de Edu Franco, "Girando na renda", de Pedro Luis, Flávio Guimarães e Sérgio Paes e "Achou" de Dante Ozetti e Luis Tatit. Esta última, sem dúvida, foi a favorita do público que fazia coro a bela voz da intérprete Ceumar. Mas, apesar dos gritos de já ganhou, "Achou" teve que se contentar com um segundo lugar. Eis aí a força motora da grande onda de vaias que tomou conta do Sesc Pinheiro.

Uma vaia a mais, uma vaia a menos

A terceira colocação do Festival ficou com uma das também bem aplaudidas, "Girando na renda" de Pedro Luis, Flávio Guimarães e Sérgio Paes, interpretada por Roberta Sá e Pedro Luis e a Parede. O troféu de melhor letra foi para Valter Braga, na música "Haicai Baião", os intérpretes vencedores foram Marcelo Pretto de "Startrek de Tacape" e Ana Luíza de "Cassorotiba". Além disso, Swami Júnior levou o prêmio de melhor arranjo na música 'Contabilidade'.

A música dos jovens Danilo Moraes e Ricardo Toperman ganharia ainda o prêmio maior da noite, mas perderia de vez a simpatia do público. Quando Cuca Lazzaroto anunciou a música vencedora do Festival da TV Cultura, "Contabilidade", o público manifestou um protesto forte e uma onda de vaias tomou conta da acústica do Sesc Pinheiros. As palavras do ministro da Cultura, Gilberto Gil, que entregou o prêmio ao garotos vencedores seriam abafadas, assim como a voz da própria apresentadora, que chegou a abandonar o palco do evento.

Cameramen sem saber para onde ir. Foram assim os últimos momentos do Festival, até que Rodrigo Rodrigues subiu ao palco e enrolou o suficiente, enquanto a produção do programa conseguia convencer os ganhadores a cantar uma última vez a música vencedora. Dá para imaginar como ficaram os bastidores do programa neste momento?

Parafraseando a letra de Danilo e Ricardo, uma vaia a mais, uma vaia a menos. Talvez tenha sido este o discurso dos produtores para convencer os dois vencedores a voltar ao palco. Apesar do protesto, os autores podem contabilizar agora seus prêmios: além do primeiro lugar e melhor arranjo, "Contabilidade" engordou a conta bancária dos músicos, eles receberão R$ 50 mil + produção de um CD e DVD + um especial veiculado na TV Cultura. A preferida do público, "Achou", vai ganhar R$ 20 mil e a terceira colocada, "Girando na Renda", faturou R$ 10 mil. Os vencedores nas categorias melhor letra, melhor intérprete e melhor arranjo também receberão R$ 10 mil cada.Subir

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