Por Humberto Gessinger
O líder dos Engenheiros dos Hawaii fala do nascimento do repertório
do CD e DVD Novos Horizontes (2007)
- Vertical: é a música que pintou de forma mais rápida
e simples. Ela diz que saber o que é possível é legal e
querer o impossível também é legal. O difícil é
saber qual é a hora de acelerar e quando é hora de pegar leve.
Mais fácil falar do que fazer.
- No Meio de Tudo, Você: é um canto de desabafo e reconhecimento.
A gente vai se acostumando a viver de forma quase animal. É maravilhoso
quando alguém nos salva dessa selva.
- Luz - Escrevi "Luz" inspirado na necessidade que a gente
tem de compartilhar as coisas com as pessoas das quais a gente gosta. Como
se delas viesse a luz pra tudo ficar completo. Objeto e observador juntos
para sempre.
- Cinza: tenta falar de aquecimento global numa escala mais humana. Em
vez das grandes corporações, o foco é a maneira infantilizada
como vivemos, querendo tudo e querendo agora. Como eu sabia que o Carlos Maltz
também pensa nisso, mandei a demo para ele. Ele colocou um rap além
de tocar bateria na faixa.
- Faz de Conta - Numa troca de e-mails, Melissa, nossa webmaster, escreveu
a frase "faz de conta que eu fui mais legal". Achei que tinha tudo
a ver com uma imagem que me perseguia fazia tempo: uma pedra caindo num lago
e gerando círculos concêntricos. Uma sensação de
irreversibilidade. Foi por aí que nasceu "Faz de Conta".
***
Pedi para o pessoal da banda mandar algumas bases sobre as quais eu pudesse
desenhar algumas letras e melodias. Deste processo nasceram quatro músicas:
"Não Consigo Odiar Ninguém", "Quebra Cabeça",
"Guantánamo" e "Coração Blindado".
- Não Consigo Odiar Ninguém: tive a idéia da letra ao
ver uma reportagem sobre comunidades do Orkut do tipo "eu odeio isso",
"eu odeio aquilo". A gente não se dá conta, mas, a
cada volta do ponteiro, ficamos mais tolerantes em relação ao
ódio e seus subprodutos. Na cultura pop até há uma glamourização
absurda da escuridão.
- Quebra Cabeça: de que serve um quebra-cabeça montado?
A letra é um convite a esquecer o ponto de chegada e aproveitar a viagem.
Tá faltando peça no quebra-cabeça? Eu não tenho
pressa, o meu tempo é todo teu.
- Guantánamo: a versão original da música era
bem mais lenta, quase um lamento sugerindo um pedido de socorro. A letra sugere
um mundo onde todos querem ter certeza de tudo. Quem tem a menor sombra de
dúvida se sente como se estivesse num interrogatório na prisão
de Guantánamo ou n'O Processo de Kafka.
- Coração Blindado: blindado é o coração
de quem fica protegido da vida, no ar condicionado de algum arranha-céu
dando ordens e fazendo teses. Com a coragem que só quem está
longe do perigo tem.
***
As músicas que regravamos passeiam por toda a história da banda:
"Toda Forma de Poder" (1986), "Alívio Imediato" (1989),
"Pra Ser Sincero" (1990), "Piano Bar" (1991), "Parabólica"
(1992), "Simples de Coração" (1995), "A Onda"
(1996), "A Montanha" (1997), "Novos Horizontes" (2000).
A formação atual da banda é: Humberto Gessinger - voz,
violões, viola caipira, bandolim, piano e harmônicas; Fernando
Aranha - violões; Pedro Augusto - teclados; Bernardo Fonseca - baixo;
e Glaucio Ayala - bateria e vocais.
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© 2007 Brasileirinho Produções Ltda.