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Lendas de São João del-Rei

As autoras



Walquíria Domingues, 18 anos, estuda Comunicação Social – Ênfase em Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais. Integra a equipe Atitude Cultural – Projetos e Responsabilidade Sociocultural. Em seu currículo, além de nosso Curso à distância de Jornalismo Cultural, ao qual se dedicou no período de fevereiro-março de 2010, com excelente aproveitamento, constam ainda o Curso de Fotografia de Still da Mostra de Cinema de Tiradentes, MG, um curso à distância de Inglês na Global English e o curso de Designer Gráfico pela Compuway. O texto aqui publicado é seu trabalho de conclusão do nosso Curso.



Alzira Agostini Haddad, formada em Psicologia pela UFSJ-Universidade Federal de São João del-Rei, é coordenadora da Atitude Cultural – Projetos e Responsabilidade Sociocultural, da qual é fundadora. Tem especializações em Revitalização Urbana e Arquitetônica pela UFMG; em Conservação, Gestão e Valorização de Bens Culturais pelo IILA (Instituto Ítalo-Latinoamericano), Palazzo Spinelli, IPHAN e IEPHA; e em Desenvolvimento Local pela OIT – Organização Internacional do Trabalho. É pós-graduada em Gestão Cultural com ênfase em Cooperação Internacional. Atua desde a década de 80 na criação, desenvolvimento e divulgação de peças gráficas, exposições, projetos e produtos culturais. Fundou também o Espaço Cultural Ao Cachimbo Turco e e é sócia do NAC- Núcleo de Assessoria Cultural, da Sociedade Sãojoanense de Arte e Cultura, Inverno Cultural de SJDR (hoje o maior projeto de extensão da UFSJ), no qual atuou em diversas edições. Atualmente preside a Associação Amigos de São João del-Rei. Foi aluna de nosso Curso à distância de Jornalismo Cultural no período de fevereiro-março de 2010, e são dela as fotos que ilustram a matéria de Walquíria.

Fabio Gomes - 22.05.10


Artigos

 

São João del-Rei, que já foi Capital Brasileira da Cultura em 2007, tem o dom de eternizar suas tradições culturais. Ela possui peculiaridades como a Linguagem dos Sinos das Igrejas, que se tornou patrimônio cultural mundial e a Encomendação das Almas, ritual religioso centenário realizado na Semana Santa, que não é mais praticado nem mesmo no Vaticano. O que também chama a atenção é uma série de lendas que instigam a imaginação e a curiosidade de moradores por gerações e também de turistas que visitam a cidade.



Criadas pelas antigas gerações, as lendas talvez não possuíssem nenhum registro escrito. Apenas foi passada de 'boca em boca' cada história, cada causo. Algumas das lendas contam histórias inacreditáveis, como o caso d' O Senhor do Mont'Alverne: a aparição de uma imagem em tamanho real do Senhor do Mont'Alverne, que foi levada para o altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, onde se encontra até hoje. Outras lendas são a "Chica mal-acabada", "A missa das almas", "A Bisbilhoteira" e o "O segredo". Verdade ou não, imaginação ou não, as histórias atravessaram séculos, décadas, viajaram gerações e desembarcaram na atualidade. Todas as lendas podem ser lidas no portal www.sjdr.com.br ou no livro "Contam que..." de Lincoln de Souza.

As lendas são-joanenses têm sido estudadas em algumas escolas da cidade, com o intuito de educar e ao mesmo tempo valorizar a cultura local. Na Fundação Bradesco são desenvolvidos projetos, cartilhas e livros, apresentações teatrais e curtas-metragens com seus alunos sobre as lendas locais. A partir de 2007, as lendas se tornaram teatro de rua integrado a passeio turístico noturno, num Projeto desenvolvido pela Coopertur - Cooperativa de Condutores de Turistas de São João del-Rei, o Lendas São-joanenses.

O Lendas São-joanenses tem a finalidade de difundir a valorização e preservação do patrimônio histórico cultural da cidade. O grupo, que conta com guias de turismo, atores e equipe de apoio, acredita que é preciso conhecer para preservar. Este passeio já realizou até o presente momento 60 apresentações abertas ao público, contribuindo para a preservação da cultura local e divulgação turística de São João del-Rei.

O papel das entidades culturais e da população para esta valorização, preservação e divulgação, não só das lendas, mas de todo o cardápio cultural local é de extrema importância para a cidade. A participação da comunidade nos eventos culturais é tão bem vinda quanto a de turistas, e isto contribui para que não morra o que São João tem de mais rico. Desta forma, como vem sendo tão bem feito, as lendas continuarão viajando pelo tempo à frente, e se eternizarão juntamente com a cidade.


Walquíria Domingues - 05.03.10