Por Lívia Meimes
Imagine dois hippies cinqüentões vivendo a filosofia paz e amor em uma sociedade hipermoderna em pleno auge. Este é o mote de Wood & Stock: sexo, orégano e rock'n'roll, longa-metragem de animação feito a partir de dois consagrados personagens de Angeli.
Wood e Stock são duas criaturas hilárias que pararam no tempo, mais precisamente nos anos 70. A história começa com uma festa na casa de Cosmo, onde os jovens Wood, Stock, Lady Jane, Rampal, Nanico e Meiaoito, entre outros 'doidões', vivem intensamente o barato do flower power. Até que... 30 anos se passam. Os heróis da história, agora carecas e barrigudos, enfrentam as dificuldades de um mundo cada vez mais individual e consumista, enfim, a hipermodernidade, como denominaria o filósofo francês Gilles Lipovetsky. E mesmo com família, filhos, trabalho, contas a pagar e solidão, os 'bicho-grilos' resolvem dar ouvidos à voz sábia de Raulzito (personagem que encarna Raul Seixas, com a pinta e a voz de Tom Zé) e ressuscitar a velha banda de rock'n'roll. Sem se dar conta que esta época já acabou, eles vão travando uma busca intensa e incessante a este seu sonho inconseqüente.
A história, com roteiro assinado por Rodrigo John - e colaborações de Otto Guerra, Marta Machado (produtora executiva), Tomás Creus e Lúcia Koch -, ganha ritmo mais alucinante ainda quando ninguém menos que Rê Bordosa surge na trama. Para o deleite dos fãs, a voz da 'porraloca' é assinada por Rita Lee, que também interpreta Lady Jane, a esposa de Wood, cuja voz é do ator gaúcho Zé Vitor Castiel. Quem faz a voz de Stock é Sepé Tiaraju. A produção, que acaba de ficar pronta, é o resultado final de um projeto contemplado, em 2000, pelo prêmio de baixo orçamento do MinC. Segundo o diretor Otto Guerra, da Otto Desenhos Animados, o atraso na conclusão do filme se deu porque foi preciso captar o restante da verba, ou seja, 60% do total de pouco mais de R$ 1 milhão em empresas através das leis de renúncia fiscal:
- A palavra "sexo" no subtítulo ocasionou diversas desistências por parte de potenciais investidores - revela.
No dia 5 deste mês de janeiro, para o deleite da equipe (formada por mais de 50 pessoas), o filme foi apresentado numa sessão para convidados no Unibanco Arteplex. Ainda sem data de distribuição, o desenho promete agradar a um público amplo, sobretudo admiradores de animação para adultos, gênero com muitos seguidores, mas relegado pelos grandes estúdios. Antes de entrar no circuito, a produção deve concorrer em festivais.
- Já houve alguns contatos de distribuidoras, de grandes a micro - revela Otto.
Na sua visão, animação é forma de expressão consagrada, inclusive no Brasil, desde o início do século 20, ou seja, desde o início do cinema. Cresceu junto com a arte cinematográfica.
- No Rio Grande do Sul não é diferente, mas não temos ainda estrutura para produzir em quantidade suficiente, para abastecer uma demanda mínima - finaliza.
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