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O FIM DO MUNDO SEGUNDO GUSTAVO SPOLIDORO

Por Lívia Meimes

 

Se o fim do mundo estivesse próximo, já se poderia ter idéia da angústia de ver tudo ir para os ares. Talvez fosse um sentimento parecido com o de uma guerra, que, de uma hora para outra, destruiria, com seus mísseis e bombas, sonhos de uma vida inteira. Sem falar no medo e na solidão que estariam presentes nesta hora. A idéia de retratar, através do cinema, um sentimento parecido com este está impresso no curta Início do Fim, do cineasta gaúcho Gustavo Spolidoro. Os últimos tempos, por sinal, têm sido de vacas gordas para ele e a produtora Clube Silêncio, da qual é sócio junto com os colegas de profissão Fabiano de Souza, Gilson Vargas e Milton do Prado. Dirigido em 35mm, o filme recebeu destaque em alguns dos principais festivais de cinema do mundo, como o Sundance (EUA), 16º Flickerfest (Austrália), Roterdã (Holanda), 3 Amériques e Alucine (respectivamente Quebec e Toronto, no Canadá), Festival de Atibaia Internacional (SP), 9ª Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), Mostra do Filme Livre (RJ), entre outros, tendo recebido o importante Jameson Short Film Awards no Festival Internacional de Curtas de SP - onde foi assistido por integrantes do júri do Festival de Clermont Ferrand (o Cannes dos curtas), e por aí vai.

O jovem diretor, ao voltar em fevereiro de 2006 de Sundance (onde concorreu, mas não ganhou) justifica o ótimo desempenho, sobretudo às questões técnicas (direção de arte, som, fotografia e música), à atuação de Nilsson Asp e pela "perfeita adequação ao formato curta-metragem". Com apenas 6 minutos e 30 segundos, o filme se passa dentro de um prédio abandonado (as filmagens foram realizadas na estrutura do antigo Cinema Capitólio, em Porto Alegre) durante um ataque aéreo, enquanto um homem aguarda a morte vendo, literalmente, o mundo cair sobre sua cabeça.

- Não tenho nenhuma pretensão de dar lição de moral ou passar uma mensagem que diga o que todos já sabemos sobre a tristeza de uma guerra. A idéia é colocar o espectador dentro daquele cenário, trazê-lo para a sensação do personagem diante da morte.

Para essa vivência, ele aumentou o volume do som, criando, assim, um sentimento de angústia. "Acredito que o cinema deve causar sensações, não se pode sair passivo da sala", opina. Seja na solidão de um bunker diante da iminência de um bombardeio, seja no fundo de um poço de mágoas, o fato é que a dor está muito bem explicitada na obra de Gustavo, como ele resume na sinopse deste filme: "Um homem desiste". Agora, cabe ao espectador se identificar - ou não - com o tipo de dor e de angústia que são retratados.

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