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ANIMADORES PARAENSES: CARINHO DO PÚBLICO
COMPENSA DIFICULDADES DE PRODUÇÃO

Por Bruna Machado


Se o número de curtas-metragens de animação brasileiros que chegam até o grande público já é pequeno, menor ainda é a fatia desse mercado ocupada por produções do estado do Pará. Entre os filmes recentemente concluídos, podemos citar Admirimiriti, A Revolta das Mangueiras, O Menino Urubu e A Onda - Festa na Pororoca, todos com temas regionais e finalizados em 3D, algo pouco comum no Brasil.

"Somos ricos em temáticas para produzirmos cinema, ainda mais com animação”, disse o produtor do Admirimiriti, Andrei Miralha. O curta fala sobre os brinquedos de miriti do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, festa religiosa que acontece todos os anos em Belém. “Não tem paraense que não se identifique com a história”, acrescenta Andrei.

Se não faltam boas idéias para roteiro, por que a produção de animações paraenses é tão pequena? “É difícil encontrarmos mão-de-obra especializada”, destacou Roberto Eliasquevici, produtor de A Revolta das Mangueiras, curta onde o personagem principal quer derrubar uma mangueira para fazer uma garagem para seu carro novo, mas nem tudo acontece de acordo com o esperado. A produção regional depende de pessoas que vão fazer cursos em grandes centros (como São Paulo) e voltem para trabalhar em Belém. Como o mercado fora do Pará é mais promissor, nem sempre este profissional qualificado retorna. “Muitos que estão aqui, eu mesmo por exemplo, são autodidatas, aprenderam as técnicas sozinhos”, frisou Miralha.

Em muitos desses curtas, não foi possível montar uma equipe técnica completa, todos cuidavam de tudo: roteiro, movimento, dublagem, moldes. Esse é um dos fatores que fazem com que projetos que aparentam ser simples virem trabalho pesado. Foram nove meses para fazer, por completo, o Admirimiriti, curta de sete minutos. “Isso é frustrante, cansativo. Ficamos meses em pequenos detalhes”, relembra Miralha. E com A Onda - Festa na Pororoca não foi diferente. “Foi quase um ano com uma equipe de mais de trinta profissionais para chegarmos ao produto final”, disse Nonato Moreira, animador do curta.

Todos, porém, concordam num ponto: o esforço compensa. “Só em notar que o público assiste e se identifica com aquilo, já valeu todo o esforço”, orgulha-se Miralha. As crianças se maravilham com as histórias que mexem com a sua imaginação, elas enxergam o que antes ficava nos contos que os avós contavam, como no caso d’A Onda - Festa na Pororoca, que conta a história de uma festa promovida pelos peixes no fundo do rio, durante a época da pororoca. “Não dá para parar, é estimulante”, fala Moreira, que confirma o projeto para rodar a continuação do curta.

Aos interessados em trilhar este caminho, uma dica: todos os anos, geralmente em janeiro, o Instituto de Artes do Pará (IAP) abre edital para financiar projetos como os citados neste texto.

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