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3 EFES: PRIMEIRO FILME BRASILEIRO
LANÇADO SIMULTANEAMENTE EM 4 MÍDIAS

Por Sarah Goulart

 

O dia 7 de dezembro de 2007 marcou a estréia nacional do novo filme de Carlos Gerbase, 3 Efes, com a novidade de seu lançamento simultâneo em quatro mídias diferentes: nos cinemas, em salas digitais do sistema RAIN, em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba; na TV, pelo Canal Brasil e TV-COM, do RS; na internet, pelo Portal Terra; e em DVD. A distribuição é da Casa de Cinema de Porto Alegre, que, para a realização do filme, pela primeira vez se associou a outras produtoras gaúchas: Vortex, Regra Três, Low Filmes, Kiko Ferraz Studios e Maria Cultura, empresa de comunicação cultural.

O objetivo deste lançamento diferenciado é desafiar o padrão cronológico tradicional de exibição, que obedece a uma linha do tempo em que o espectador é inicialmente direcionado às salas de cinema, tendo que esperar vários meses caso prefira assistir em DVD, e mais um longo período para conferir pela TV. Desta forma, democratiza o acesso ao filme, propiciando que o público tenha a possibilidade de escolher o local e a forma que prefere utilizar para conhecer o trabalho.

- Com a propagação do acesso à internet, não faz mais sentido tutelar o espectador a apenas um meio. Por isso, optamos por disseminar o 3 Efes nestas quatro mídias, permitindo que mais pessoas possam assisti-lo - explica Gerbase.

Assim como o filme foi produzido de uma forma bem diferente da tradicional, também se projetaram inovadoras ações de comunicação do lançamento. Nos 21 dias que antecederam a estréia, promoções criadas e desenvolvidas pela Maria Cultura fizeram referência ao enredo do longa-metragem, que apresenta a teoria de que a humanidade tem três apetites: a fome, o sexo e o fasma. O filme mostra como essa teoria, desenvolvida pelo fictício professor Valadares, funciona na prática.

Sinopse

3 Efes é uma comédia dramática que aborda as dificuldades - afetivas, financeiras e culturais - enfrentadas por um grupo de personagens que circula em torno de Sissi, uma jovem universitária que sustenta, a duras penas, o pai viúvo e o irmão pequeno. Nessa situação de dificuldade, Sissi recorre aos conselhos de sua tia, Martina, uma dona-de-casa entediada que, em meio a uma crise no seu casamento com o publicitário Rogério, fica irresistivelmente atraída por William, um simples catador de papel.

Rogério também está em apuros: sua última campanha publicitária deu errado, e agora ele precisa dar um jeito de salvar seu emprego - de qualquer jeito. Assim, sob todas essas pressões do cotidiano, os personagens acabam tomando importantes decisões que vão mudar muita coisa entre eles - e também provocar algumas situações inusitadas.

3 Efes constrói uma história com personagens de uma grande cidade brasileira, Porto Alegre, vivendo dilemas éticos comuns a muitas pessoas de qualquer canto do mundo: até onde se pode ir para manter um emprego ameaçado, sustentar uma família na fronteira da fome, ou dar vazão a desejos que a sociedade condena?

Filmando 3 Efes

As filmagens aconteceram em 20 dias, entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007, em Porto Alegre. No elenco Cris Kessler (a estudante "Sissi") e Paulo Rodrigues (o papeleiro "William") fazem sua estréia no cinema. Ana Maria Mainieri (a prostituta "Giane"), já tinha atuado como protagonista num filme de Gerbase, Tolerância, além de ser a estrela de Houve uma vez dois verões, de Jorge Furtado. Felipe de Paula (o fotógrafo "Betinho"), Carla Cassapo (a dona-de-casa "Martina"), Leonardo Machado (o publicitário "Rogério") e Fábio Rangel (o taxista "Heitor") fizeram pequenos papéis em Sal de Prata, também de Gerbase. Artur Pinto já aparecera numa ponta de O Homem que Copiava, de Jorge Furtado. Júlio Andrade, por sua vez, presente em O Homem que Copiava, Sal de Prata e Cão sem Dono (de Beto Andrade e Renato Ciasca), faz uma pequena participação na cena final. Outra participação especialíssima é a do professor Aníbal Damasceno Ferreira, que interpreta o "Professor Valadares", autor da teoria dos "3 Efes".

A equipe básica presente no set era de apenas nove pessoas: diretor, assistente de direção, fotógrafo (que também atuava como câmera), técnico de som direto, microfonista, diretor de produção, diretora de arte, figurinista e maquiadora. Em algumas situações (quartos de motel, por exemplo), a equipe era ainda menor, por absoluta falta de espaço. 3 Efes foi filmado com uma câmera mini-DV e um kit de luz portátil. O som direto foi gravado em fitas DAT.

As externas valorizam alguns cenários ainda pouco filmados da cidade de Porto Alegre, como a praça Europa (próxima ao Shopping Iguatemi), as ruas do bairro Menino Deus, a vila Planetário e a Cidade Baixa. Nas internas, o destaque é a utilização de cinco diferentes motéis, que colaboraram com a produção permitindo a permanência da equipe e do elenco do filme cobrando, por hora, apenas o preço básico para um casal. A única condição é que as filmagens acontecessem pela manhã ou à tarde.

O filme contou também com o apoio decisivo de vários restaurantes de Porto Alegre, como o Moeda (do Centro Cultural Santander), Birra & Pasta, Restaurante Marcos, Oriental Express, Calamares, Massolin de Fiori, Atelier das Massas e Charlie.

Notas sobre a produção

A realização de 3 Efes partiu de uma premissa básica: o cinema brasileiro precisa de mais produções de baixo custo, em suporte digital, que, apesar das limitações orçamentárias, busquem o diálogo com o grande público. Para isso, o roteirista e diretor Carlos Gerbase escreveu um roteiro que valoriza ao máximo a dramaturgia e permite a criação de um discurso cinematográfico enxuto, mas com grande capacidade de comunicação. De certa forma, é uma volta à estética que marcou um momento importante na carreira de Gerbase: o seu primeiro longa em super-8, Inverno (1983).

Para a Casa de Cinema de Porto Alegre, é mais uma oportunidade de comprovar o excelente nível dos profissionais da área no Rio Grande do Sul: elenco e equipe técnica são formados exclusivamente por gaúchos. A produtora acredita que a diversidade de estratégias de realização é muito importante para que o cinema brasileiro amadureça ainda mais e conquiste fatias maiores do mercado.

Finalização e Música

Toda a montagem da imagem foi realizada em ilha de edição Final Cut Pro da Casa de Cinema de Porto Alegre, entre maio e outubro de 2007. A edição de som esteve a cargo do Kiko Ferraz Studios. A música é de Laura L e de sua banda Músicas Intermináveis para Viagem. Parte da trilha foi retirada do seu CD de estréia, lançado em 2006, e parte foi composta especialmente para o filme.

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