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CARLOS VERGARA:
OFICINA EM SÃO MIGUEL DAS MISSÕES

Por Fabio Gomes

 

 

(Comentários feitos no lançamento do vídeo no Santander Cultural, Porto Alegre, em 15 de julho de 2003)

CARLOS VERGARA, artista plásico - O convite para uma oficina de dois dias cria uma situação de emergência, e não pretende produzir resultados para agora. Conhecer as Missões era um velho sonho meu, e não queria fazer algo lá desacompanhado, queria uma troca entre colegas. Eram duas oficinas: a dos artistas que convidei e a de diminuir o ego. As Missões foram a maior experiência comunista, mais que a União Soviética. Entre artistas, o ego é imenso. São Miguel não está no Memorial do Rio Grande do Sul, é uma lacuna. A idéia da oficina era ter uma vivência junto em São Miguel. Se acontecesse a sorte de sair algo bom, melhor. O vídeo é o registro de uma tentativa, não de uma obra.

LORDSIR PENINHA, diretor do vídeo - Foi uma experiência deliciosa, com pessoas muito especiais, foi uma comunhão. Perguntei ao Vergara qual o roteiro, ele me disse: Não, vai filmando. O diretor de fotografia Jorge Henrique Boca, por seu trabalho, foi um co-autor do vídeo. Evitamos mostrar rostos, a idéia era evidenciar processos. O maestro Cláudio Ribeiro fez a peça musical, quando a peguei tudo mudou na minha cabeça. Quisemos fazer algo realmente audiovisual.

CLÁUDIO RIBEIRO, maestro, autor da trilha sonora - Procurei um amigo meu especialista em música antiga, o Jorge Preiss, que pesquisou as Missões. Ele me passou uma partitura para coral de 1613. Desmembrei-a e a transformei em linguagem moderna. Procurei usar instrumentos que havia na época (harpa, órgão, bombo, flauta, oboé, clarinete, fagote) - os índios fabricavam e tocavam bem. Conseguimos equilíbrio, além de reviver a experiência comunista das Missões. A parte da trilha feita pelo órgão é a partitura de 1613, transcrita do coral, e quer dar conta do espírito sacro.

VERGARA - Numa experiência como essa, cria-se a expectativa de algo pronto. Isso pode levar um, dois anos. Muitos artistas, como Cildo Meireles, já foram lá e fizeram coisas muito importantes, nossa idéia não é sombreá-los. Certas reações químicas só ocorrem na presença de um catalisador. Isso ocorre em arte, quando coisas externas a você influem no seu fazer artístico. As Missões são o nosso Partenon. A experiência toda (oficina + viagem + vídeo) levou 15 dias. Sei que vão surgir coisas no meu trabalho a partir dessa oficina. No mundo hoje em que há coisas tecnológicas importantes, essa experiência (a princípio) não tem a mínima importância.

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